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Alternativa de financiamento à economia portuguesa

Acordos com Pequim avançam com venda de dívida pública e visita do BCP à China

12.01.2011 - 07:28 Por Cristina Ferreira, Bárbara Reis

Tanto na dívida pública, como nas parcerias no sector bancário, os acordos estabelecidos entre Portugal e China avançam.

O Banco Comercial Português (BCP) enviou este fim-de-semana um emissário à China para reunir com altos responsáveis do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), no quadro da parceria que as duas instituições estão a desenvolver, e que foi assinada há um mês. Em cima da mesa poderá ter estado o entendimento envolvendo a entrada do maior banco chinês no capital do BCP.

Fonte oficial da administração do BCP, contactada pelo PÚBLICO, confirmou que o emissário de Santos Ferreira foi o administrador António Ramalho, que chegou ontem a Lisboa, depois de ter feito uma visita-relâmpago à China, onde esteve um dia e meio.

As reuniões bilaterais luso-chinesas tiveram por objectivo, segundo explicou o responsável do BCP, "verificar como é que os acordos assinados em Lisboa, entre o BCP e o ICBC, estão a decorrer". A fonte oficial desvalorizou a visita de Ramalho ao Oriente, considerando-a normal, tendo em conta o memorando de entendimento assinado a 7 de Novembro durante a visita oficial a Lisboa do Presidente chinês Hu Jintao.

Na China, Ramalho encontrou-se com a vice-presidente do ICBC, e ainda com o responsável do banco chinês em Hong Kong, sendo que um dos temas que estiveram em cima da mesa, considerado pela fonte oficial de grande relevância, teve a ver com o envio das remessas dos imigrantes chineses que vivem em Portugal.

No BCP, Ramalho é responsável, entre outros, pelos pelouros da Comunicação, Internacional e das Participações Financeiras e Valorimetria, e integra ainda a comissão de Planeamento e Alocação de Capital e Gestão de Activos e Passivos do BCP.

Confrontado com a informação de que Ramalho terá ido à China para afinar o acordo de parceria estratégica de capital, que levará à entrada do ICBC no BCP, o responsável apenas disse que "não confirmava", avançando que os dois bancos, no contexto dos acordos já estabelecidos, vão manter reuniões periódicas.

Em todo o caso, altos quadros do BCP (não oficiais) admitiram ontem ao PÚBLICO que a ida de Ramalho à China não é alheia à eventual tomada de posição do ICBC no banco nacional, um negócio que deverá, acreditam, ocorrer nos primeiros meses do ano, antes da assembleia geral de Março. O investimento chinês poderá ser concretizado através de um aumento de capital que ajudaria o BCP a reforçar os rácios de capital, daí o desejo da gestão de Santos Ferreira de poder anunciar a operação antes dos novos testes de stress. Os contactos bilaterais entre o BCP e o ICBC são de 2009, e assumiram maior protagonismo durante a visita do Presidente chinês.

Compra de dívida em curso

Também nessa altura, Lisboa e Pequim começaram a negociar a compra por parte do gigante asiático de dívida pública portuguesa, um negócio que pode desempenhar um papel muito importante na estratégia de financiamento delineada pelo Governo.

Nas três rondas de encontros oficiais recentes entre os dois países (em Lisboa, Macau e Pequim), o Governo português queria que a China comprasse 10 mil milhões de euros de dívida pública - um valor que corresponderia a cerca de um quarto das necessidades brutas de financiamento para este ano -, participasse no programa de privatização da EDP (através da China Power Investments) e fizesse um investimento significativo que "simbolizasse a relação política" que existe entre ambos, como a abertura de uma grande fábrica. Em Macau, Sócrates resumiu enfaticamente ao seu homólogo chinês o que Portugal espera de Pequim: "Investimento, investimento, investimento." A reacção tanto do Presidente como do primeiro-ministro e ministro das Finanças chineses foi "absolutamente positiva", disseram ao PÚBLICO fontes governamentais e diplomáticas. Mais tarde, porém, a China terá dado garantias de compra da dívida de um valor muito abaixo dos 10 mil milhões de euros.

Há sinais claros de que essas compras já podem estar a ocorrer, de forma faseada e através de operações de venda directa de dívida que as Finanças começaram a realizar, no final deste ano em montantes muito mais elevados. Depois de uma venda directa de dívida pública nacional, no montante de mil milhões de euros, em Dezembro, o Estado português tem agendado para hoje uma operação de idêntico montante, com a maturidade de Junho de 2012. A emissão é hoje, mas a colocação já estará pré-contratada com o investidor ou investidores finais. Embora tal não seja confirmado pelas Finanças, a China pode estar entre os investidores.

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