Alemanha quer que Atenas abdique da soberania orçamental para receber novo resgate 
28.01.2012 - 00:27 Por Lusa
A Alemanha quer que a Grécia abdique da soberania sobre as decisões orçamentais, transferindo-a para um “comissário do Orçamento” da Zona Euro, para que Atenas receba um segundo resgate de 130 mil milhões de euros, adianta o “Financial Times”.
O jornal económico, que cita no seu sítio na Internet uma cópia de uma proposta de Berlim a que diz ter acedido, afirma que, desta forma, “o novo comissário [da Zona Euro] teria o poder de vetar decisões orçamentais tomadas pelo governo grego se não estivessem em linha com os objectivos estabelecidos pelos credores internacionais”.
O novo responsável, que seria nomeado pelos restantes ministros das Finanças do espaço do euro, teria a responsabilidade de supervisionar “todos os grandes blocos de despesas” do governo de Atenas.
“A consolidação orçamental tem de ser colocada sob orientação e sistema de controlo rigorosos. Tendo em conta o cumprimento decepcionante até agora, a Grécia tem de aceitar transferir a soberania orçamental para um nível europeu por um determinado período de tempo”, lê-se na proposta, avançada pelo “Financial Times”.
De acordo com este plano, Atenas ficaria também obrigada a dotar uma lei, de carácter permanente, que garantisse que as receitas do Estado seriam canalizadas para os serviços de dívida “em primeiro lugar”.
O plano alemão evidencia a falta de confiança dos credores europeus em relação à Grécia: “Se a futura tranche [do resgate financeiro] falhar, a Grécia não pode ameaçar os seus credores com um incumprimento. Em vez disso, vai ter de aceitar mais cortes nas despesas primárias como única consequência de qualquer não pagamento”, refere a proposta de Berlim.
O ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, assegurou hoje que a Grécia está “a um passo” de obter um acordo com a banca sobre o perdão de pelo menos 100 mil milhões de euros da sua dívida, reconhecendo que há ainda “uma série de difíceis questões para iniciar o novo programa” (de empréstimo).
Após mais um encontro em Atenas com os representantes da ‘troika’, que integra o Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE) e Banco Central Europeu (BCE), que antecedeu o recomeço das negociações com o Instituto Internacional das Finanças (IIF), que representa os interesses dos grandes bancos, o ministro referiu-se, em comunicado, a “negociações muito difíceis e delicadas”, mas garantiu que o processo se encontra “a um passo” de ser completado.
O FMI e a UE pretendem que o país reduza a sua dívida antes de aprovarem um novo empréstimo de 130 mil milhões de euros, necessário para que Atenas não declare insolvência.


