Amadora: dirigente sindical detido durante incidentes na Pereira da Costa 
13.03.2007 - 20:17 Por Lusa, PUBLICO.PT
Um dirigente sindical que participava na vigília de trabalhadores frente Pereira da Costa, na Amadora, foi detido pela PSP, na sequência de desacatos. Os trabalhadores queixam-se de agressões por parte das forças policiais.
Segundo a Lusa, a detenção de Pedro Miguel ocorreu quando a oficial de justiça presente na empresa se preparava para dar uma entrevista a um canal de televisão, tendo os trabalhadores reagido com exaltação.
Agentes da PSP no local acabaram por intervir para proteger a funcionária do tribunal, que abandonou o local numa viatura da polícia, enquanto o representante sindical era detido.
Os trabalhadores – há seis meses sem receber salário e impedidos de entrar nas instalações da empresa – estão em vigília à porta da empresa para evitar a saída do material, decretada por tribunal em resposta a uma providência cautelar interposta pela administração.
Em declarações à TSF, Carlos Ribeiro, membro da Comissão de Trabalhadores, acusou a polícia de usar a força para dispersar os trabalhadores e permitir a saída do material.
Trabalhadores contestam decisão judicial
Questionado pela Lusa, o dirigente sindical João Serpa explicou que a oficial de justiça "veio hoje fazer um inventário à empresa e ao mesmo tempo permitiu a saída de alguns bens". "Hoje de manhã saíram diversas viaturas com bens da empresa e mais dois camiões com cabos de aço e de cobre para um terreno que o proprietário da empresa tem na Ramada, no concelho de Odivelas", acrescentou.
Esta situação, explicou, deve-se "a uma providência cautelar que o dono da empresa interpôs no tribunal, porque alegava que os trabalhadores o impediam de entrar na empresa". "Numa decisão cega, o tribunal deu provimento a esta providência cautelar e o proprietário da empresa retomou as suas funções, mas os nossos advogados vão apresentar recurso", acrescentou.
No ano passado, a empresa do sector da construção civil despediu 83 dos 220 trabalhadores, que entretanto recorreram da decisão para tribunal. A instância decidiu a favor da reintegração de 45 dos trabalhadores despedidos, que agora exigem voltar à empresa.
A empresa Pereira da Costa faliu em Agosto de 2005 num processo que começou dois anos antes, tendo sido posteriormente adquirida por Luís Moreira.


