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Pai do microcrédito contesta decisão do Banco Central do Bangladesh

Associação portuguesa de direito ao crédito solidária com Muhammad Yunus

09.03.2011 - 20:44 Por Pedro Crisóstomo

<p>Muhammad Yunus foi laureado com o Nobel da PAz em 2006</p>

Muhammad Yunus foi laureado com o Nobel da PAz em 2006

 (Haakon Mosvold Larsen/Pool/Reuters)
Seguindo a onda de contestação global sobre a demissão de Muhammad Yunus do Grameen Bank, a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) critica o tratamento do Governo do Bangladesh em relação ao pai do microcrédito e mostra-se solidária com o Nobel da Paz.

Muhammad Yunus foi demitido pelo Banco Central do Bangladesh a dois de Fevereiro das funções de director geral do Grameen Bank, por si fundado em 1976, sob a acusação de ter ultrapassado o limite de idade para exercer o cargo e de ter assumido a pasta (em 2000) sem acordo do banco central.

A ANDC diz-se, em comunicado hoje emitido, indignada pela forma como o Governo está a tratar Yunus, com quem a primeira-ministra, Sheikh Hasina, tem mantido um braço-de-ferro nos últimos quatro anos: primeiro, quando o pai do microcrédito decidiu criar o partido Poder dos Cidadãos – que não avançou –, e, agora, desde que Hasina regressou ao poder, em 2008.

À semelhança do que fizeram outras instituições e personalidades a nível global, a ANDC alerta para as “consequências graves directas” de um afastamento de Yunus da direcção do banco.

Em causa, diz Mohamed Lemine Ould Ahmed, presidente da ANDC, está o futuro de 8,5 milhões de famílias pobres no país, face à sua forte ligação – cerca de um terço da população – ao Grameen Bank. O modelo de microcrédito criado pelo Nobel da Paz foi pensado para aqueles que não têm acesso ao sistema bancário tradicional.

Campanha contra “o bom nome” de Yunus

Nos últimos meses, o banco de Yunus foi ilibado das acusações de fraude lançadas por um documentário norueguês, no qual era acusado de desviar 100 milhões de dólares (cerca de 71 milhões de euros) de uma agência norueguesa de assistência humanitária. E, internamente, o Governo de Hasina decidiu investigar o processo, ao mesmo tempo que Yunus respondia em tribunal por um processo de difamação.

Quando o pai do microcrédito aguarda resposta do Supremo Tribunal do Bangladesh ao recurso, hoje apresentado, sobre a decisão do banco central, o presidente da ANDC fala “numa campanha contra o bom nome” de Yunus.

Mohamed Lemine Ould Ahmed considera “caricata” a natureza dos crimes pelos quais o fundador do Grameen Bank é acusado pela justiça e atribui mesmo a controvérsia ao facto de o Nobel da Paz de 2006 “ser visto como inimigo por parte da classe política” depois de “denunciar publicamente a ganância desta pelo poder do dinheiro e a corrupção generalizada”.

A associação estranha ainda que o Banco Central do Bangladesh “só agora” se tenha apercebido que Yunus ultrapassou, em dez anos, o limite de idade de reforma (de 60 anos).

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