Atrasos nos pagamentos, falências e fraco diálogo com Estado preocupam sector do trabalho temporário 
11.04.2010 - 12:05 Por Lusa
As empresas de trabalho temporário colocaram diariamente, em média, 45 trabalhadores no mercado em 2009
(Daniel Rocha)Os atrasos nos pagamentos, a falência de pequenas e médias empresas e o “fraco” diálogo com o sector público são os principais obstáculos à recuperação do trabalho temporário, apontou hoje o presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego (APESPE).
Em entrevista à agência Lusa, Marcelino Pena Costa disse que a média de pagamento às empresas de trabalho temporário está “preocupantemente” entre os 90 e os 120 dias. Isto significa, de acordo com o responsável, que as empresas que tenham que pagar salários, segurança social, impostos e IVA acabam por ter dificuldades acrescidas na gestão dos seus negócios e muitas acabam por falir.
A APESPE estima que só no primeiro trimestre deste ano tenham já fechado 50 empresas com dificuldades de sobrevivência, numa situação a que a cada vez maior rigidez na concessão de crédito bancário não será alheia. “Este tem sido um problema muito grave que tem feito com que muitas pequenas empresas tenham desaparecido”, sublinhou.
Para Marcelino Pena Costa, os encerramentos vão continuar ao longo do ano, o que se torna preocupante porque “em nenhum sector de actividade é saudável que existam apenas grandes empresas”.
Numa altura em que o desemprego continua a aumentar todos os meses, o “fraco” diálogo entre as empresas de trabalho temporário e o sector público também preocupa a associação. “Achamos que o sector público, enquanto comprador de serviços, não dialoga no sentido de encontrar sinergias”, disse o responsável, lamentando que haja ainda na sociedade um “estigma” relacionado com o trabalho temporário. “Eu costumo dizer que é preferível trabalhar um dia do que não trabalhar, porque se não trabalha perde-se qualificação e isso é preocupante”, defendeu.
No entanto, referiu, até no próprio Estado há uma grande confusão entre a compra de prestação de serviços e trabalho temporário e depois acaba-se por “comprar aquilo que é mais barato e que é ilegal que são os trabalhadores com recibo verde”. “É um absurdo que persista esta prática, quando existe uma actividade regulada e regulamentada para efectuar esses serviços que somos nós”, frisou.
De acordo com os dados da APESPE, as empresas de trabalho temporário colocaram diariamente, em média, 45 trabalhadores no mercado em Portugal em 2009, menos dez trabalhadores do que no ano anterior.
A nível mundial, os países com maior mercado a nível do trabalho temporário são os EUA e o Japão, sendo a Randstad, a Adecco e a Manpower (com delegações a funcionar em Portugal), as empresas que apresentam maior volume de negócios nesta área.


