A subida faseada do salário mínimo nacional (SMN) até aos 500 euros em 2011 foi bem recebida pela UGT e contou com a “compreensão” da CIP, enquanto a CGTP garantiu que “não dará cobertura a um simulacro de discussão”.
De acordo com o secretário-geral da UGT, João Proença, a estrutura vê “com agrado” o aumento do SMN até aos 500 euros no próximo ano, referindo “ter valido a pena” a realização da greve geral.
“Não conseguimos em Janeiro, mas foi uma grande vitória chegar aos 500 euros em 2011”, disse o sindicalista no final da reunião de concertação social, onde foi decidido o aumento de 10 euros do SMN no próximo mês (para os 485 euros) e duas avaliações intercalares com vista à fixação desta retribuição nos 500 euros até Outubro.
O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, por sua vez, considerou “uma vergonha” um aumento de “33 cêntimos por dia” para os trabalhadores que ganham o SMN, referindo que “não dará cobertura a um simulacro de discussão”.
A solução encontrada pelo Governo “não corresponde ao acordo” feito pelos parceiros em 2006, para elevar o SMN até aos 500 euros em 2011, resumiu.
Do lado dos patrões, a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) manifestou-se satisfeita com o aumento faseado do SMN, com António Saraiva a desejar “que haja condições” para o aumento até aos 500 euros em 2011.
“Mas não me peçam milagres, se não houver condições para gerar valor, tudo o resto é demagogia”, disse, acrescentando ainda que não será a favor de medidas que levem “à morte das empresas ou que as façam sair dos cuidados intensivos” para uma situação pior.
À saída da reunião, o presidente da confederação do Turismo, José Carlos Pinto Coelho, reiterou que 2011 “não é a altura correcta” para o SMN alcançar os 500 euros e que o sinal dado à economia “não é o da contenção”, mas sublinhou que se tratou de uma decisão do Governo.
Igual aspecto foi destacado pelo presidente da confederação do Comércio e Serviços, João Vieira Lopes, que lembrou contudo que o faseamento foi proposto por esta estrutura.
Em Janeiro, os parceiros sociais juntam-se novamente em concertação social para de uma forma intensiva (duas reuniões semanais) discutir a iniciativa para o crescimento e o emprego aprovada em Conselho de Ministros.
À saída da reunião de hoje, a ministra do Trabalho garantiu que sobre esta iniciativa “está tudo em aberto”.
Já Carvalho da Silva, da CGTP, disse estar convencido que o Governo está a preparar uma “profunda revisão da legislação do trabalho”, de forma “acelerada” e “escondida”.



