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Valores são mais pessimistas que os do PEC

Banco de Portugal projecta crescimento mais baixo este ano e no próximo

30.03.2010 - 13:03 Por Paulo Miguel Madeira

<p>A baixa nas projecções para este ano resulta de quedas acentuadas no consumo público e no investimento</p>

A baixa nas projecções para este ano resulta de quedas acentuadas no consumo público e no investimento

 (Pedro Cunha/ arquivo)
O Banco de Portugal reviu em forte baixa as suas projecções para o crescimento da economia portuguesa este ano e em 2011, que desceram de respectivamente 0,7 por cento para 0,4 por cento e de 1,4 para 0,8 por cento.

Estes valores são inferiores aos que o Governo inscreveu na sua previsão mais recente, que constam do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), e reflectem já o efeito das medidas aí introduzidas. Nesse documento, o Governo prevê um crescimento de 0,7 por cento para este ano, tal como antes previa o banco central, e de 0,9 por cento para 2011.

A baixa na projecção do Banco de Portugal para a evolução do PIB este ano face a 2009 (em que já sofreu um recuo de 2,7 por cento) resulta de quedas acentuadas no consumo público e no investimento, que fazem a procura interna global recuar 0,5 por cento, quando antes se estimava que crescesse 0,3 por cento, revela o Boletim Económico de Primavera do banco central, divulgado hoje.

Nas previsões para este ano, a maior queda percentual é do investimento: no Boletim de Inverno previa-se que este ano se contraísse 3,4 por cento, e agora prevê-se 6,3 por cento. A previsão para o andamento do consumo público passa de uma subida de 0,7 por cento para uma queda da mesma dimensão, enquanto no caso do consumo privado a tendência é inversa, passando o crescimento previsto a ser de 1,1 por cento, quando antes era de 1,0.

Este cenário é parcialmente compensado por um andamento do comércio externo mais favorável do que o anteriormente previsto. Para as exportações, projecta-se agora um crescimento de 3,6 por cento, quando há três meses se projectava 1,7 por cento. Por outro lado, para as importações antevê-se agora uma ligeira redução do seu crescimento este ano, de 0,3 para 0,2 por cento.

Em relação a 2011, antevê-se agora uma substancial redução do andamento de quase todas as componentes consideradas, face às perspectivas de Inverno, mas com um cenário mais favorável que o deste ano. Quase todas as rubricas deverão ter uma variação positiva face a 2010, excepto o consumo público, para o qual se prevê um novo recuo, de 0,2 por cento.

Apenas as exportações deverão intensificar o rimo de crescimento, passando a respectiva previsão de 3,2 para 3,6 por cento. Aliás, para os dois anos considerados, espera-se agora um melhor contributo do comércio externo para o andamento da economia.

As projecções para a inflação mantêm-se próximas das anteriores, passando a ser de 0,7 por cento este ano e 1,5 por cento em 2011.

Notícia actualizada às 13h20

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