Bancos espanhóis revelam fraquezas nos testes de resistência 
06.07.2010 - 09:32 Por Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas
Alguns bancos de dimensão média em Espanha e na Alemanha são dados como os mais vulneráveis aos testes de resistência que a União Europeia (UE) decidiu publicar até ao fim do mês mas cujos parâmetros permanecem pouco claros.
A publicação dos testes de resistência a condições macroeconómicas extremas (os chamados stress tests), que decorrem actualmente em todos os países, revelarão que "a resiliência do sistema bancário europeu é melhor e mais forte" do que o tem sido dito pelos analistas, prognosticou um responsável europeu. No entanto, reconhece, "há algumas bolsas de vulnerabilidade, parcialmente em Espanha e na Alemanha, que poderão suscitar algumas questões em termos de recapitalização", acrescentou.
Se tiverem dificuldades para proceder a esta injecção de capital, os Governos poderão recorrer ao novo fundo de estabilização do euro de 750 mil milhões de euros que foi criado em Maio enquanto rede de segurança para os Estados com problemas de liquidez. Antes disso, no entanto, os Governos terão de recorrer aos fundos nacionais de estabilização do sistema financeiro - criados no Outono de 2008 no rescaldo da falência do banco americano Lehman Brothers - e só depois ao mecanismo europeu. O mesmo responsável expressou, por outro lado, a sua convicção de que, no pior cenário, as necessidades nunca excederão os 750 mil milhões do fundo europeu.
De acordo com os peritos europeus, as maiores vulnerabilidades foram detectadas sobretudo nas cajas espanholas e nos landesbanken alemães. Estas dificuldades estiveram, aliás, na origem da forte resistência, durante longos meses, de Berlim à publicação dos resultados dos testes.
A Espanha, farta de ver o seu mercado interbancário paralisado devido às duvidas e receios suscitados pela situação das cajas, pressionou os parceiros para a publicação dos testes, o que acabou por ser consagrado na última cimeira de líderes da UE, com o objectivo de restaurar a confiança no sistema bancário europeu.
Os detalhes do processo estão, no entanto, ainda longe de ser claros. Embora a ideia inicial tenha sido de publicar os resultados dos 26 maiores bancos, os Governos reunidos no comité europeu dos supervisores bancários (CEBS) encarregado de coordenar todo o processo decidiram alargar o exercício a "pelo menos" 50 por cento do mercado de cada país. O que dará um número de 75 a 100 bancos, referem vários responsáveis europeus. As instituições que entrarão nestes cálculos ainda não são conhecidas, estando a sua escolha a cargo dos reguladores nacionais.
Os Governos estão igualmente de acordo em utilizar uma metodologia comum em todo o exercício, mas os parâmetros das análises não são públicos, o que tem alimentado dúvidas dos investidores sobre a possibilidade real deste exercício restaurar a confiança. Não é claro, por exemplo, se os testes incluirão o risco de um dos países mais endividados, como a Grécia, ser forçado a reestruturar a dívida.
Os detalhes finais de todo o processo, incluindo a data da publicação simultânea dos resultados, vão ser decididos pelos ministros das finanças da UE a 13 de Julho.


