Créditos para compra de casa caíram para metade
(Pedro Vilela)No início do ano, concessão de crédito a particulares caiu para metade. Bancos emprestaram apenas 588 milhões de euros e estão a retrair-se sobretudo no crédito à habitação.
Os dados do Banco de Portugal (BdP), hoje divulgados, mostram que os bancos nacionais continuam a apertar na concessão de crédito. Apesar de o volume total de novos empréstimos concedidos até ter aumentado 1,2% (cerca de 53 milhões de euros) em termos homólogos, esta evolução deu-se à custa de menos crédito para as famílias e de mais crédito às empresas.
Em Janeiro, os novos empréstimos concedidos pelos bancos a particulares atingiram os 588 milhões de euros, quase menos 50% do que há um ano. Este é o valor mais baixo desde que o BdP tem registo dos dados, ou seja, desde Janeiro de 2003. Desde o início do ano passado, os bancos têm vindo, sucessivamente, a reduzir o financiamento a particulares.
A retracção do crédito tem sido particularmente forte nos empréstimos para compra de casa, cujo valor já é, inclusive, inferior ao dos créditos ao consumo. Em Janeiro, os bancos emprestaram apenas 150 milhões de euros para compra de casa, uma queda de 74,4% em termos homólogos. No crédito ao consumo, a quebra é também acentuada (-38%), embora menor: no total, foram concedidos 168 milhões de euros em novos empréstimos.
Além de as medidas de austeridade e a elevada taxa de desemprego estarem a diminuir a procura de financiamento por parte das famílias, os bancos têm também limitado o financiamento, aumentando as restrições à concessão de crédito, desde logo devido às suas próprias dificuldades em conseguir financiamento.
No meio empresarial, a contracção do crédito tem sido menos severa. Os dados do BdP mostram que, em Janeiro, os bancos emprestaram 3,9 mil milhões às empresas, mais 17% do que há um ano. No entanto, são as grandes empresas que têm beneficiado da manutenção do financiamento, visto que as estatísticas mostram que os empréstimos acima de um milhão de euros aumentaram 31,4%, enquanto os créditos abaixo desse montante cresceram apenas 2,4%.



