Num cenário de dificuldades na obtenção de financiamento nos mercados, o Estado português tem contado com a ajuda dos bancos nacionais para resolver alguns dos seus problemas.
De acordo com os dados publicados esta semana pelo Banco de Portugal, o crédito líquido obtido pelo Estado durante os primeiros sete meses do ano (12,9 mil milhões de euros) foi obtido na sua totalidade junto de agentes económicos que residem em Portugal (na sua maioria bancos). No que diz respeito aos não residentes, o montante dos empréstimos amortizados pelo Estado até Julho foi mesmo superior, em 3298 milhões de euros, aos valores dos novos créditos concedidos.
Este recurso do Estado ao crédito concedido por portugueses em detrimento do crédito concedido por estrangeiros constitui uma inversão completa da tendência verificada em anos anteriores. A explicação para esta mudança radical poderá estar na necessidade que o Ministério das Finanças sentiu, desde que em Maio as condições do mercado obrigacionista se deterioram para Portugal, de recorrer a linhas de financiamento de muito curto prazo junto de instituições bancárias. No final de Julho, este tipo de empréstimos atingia os 7641 milhões de euros, tendo uma parte significativa deles sido amortizada em Agosto. Aparentemente, os bancos que concederam estes empréstimos terão sido, na sua maioria, portugueses.
Para os bancos, para além do negócio que estas operações constituem (o Governo não divulga as taxas praticadas), ajudar o Estado a resolver os problemas de financiamento significa também aliviar um pouco a pressão de que eles próprios estão a ser alvo nos mercados internacionais. O Banco de Portugal sinaliza que o Estado continua a ir buscar crédito às instituições financeiras que operam no país.



