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Banqueiros reuniram de novo com Sócrates

29.09.2010 - 01:42 Por Cristina Ferreira

Os presidentes de alguns bancos a operar em Portugal estiveram nos últimos dias com José Sócrates, com quem terão debatido, entre outros pontos, as consequências da crise da divida pública no sistema financeiro e, por arrastamento, na economia.

As reuniões contaram com a presença do Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, mas nem todos os banqueiros participaram nos encontros, dado que alguns se encontram fora do País. E, apesar de habitualmente serem os banqueiros a solicitar reuniões com o chefe de Governo, desta vez o PÚBLICO não conseguiu apurar de quem partiu a iniciativa.

Os encontros, em São Bento, decorreram num quadro de grande sensibilidade macroeconómica, tendo acontecido horas antes da divulgação dos valores do défice público deste ano, com o buraco das contas públicas a atingir no primeiro semestre 9,6 por cento do PIB. E realizou-se nas vésperas da divulgação da proposta de Orçamento de Estado para 2011, que deverá incluir medidas para incutir confiança aos mercados financeiros.

Neste contexto, um dos temas abordados terá sido o impacto que a crise da divida pública está a ter no sector financeiro, com o crédito às empresas e às famílias a escassear. As PME, mais dependentes de empréstimos bancários para a sua actividade, tendem a ser as primeiras vítimas.

Com o circuito de financiamento entre bancos bloqueado (a situação é considerada mais grave do que a registada no auge da crise de 2008), o sector tem estado a obter fundos junto do BCE, que já avisou que irá progressivamente “fechar a torneira”. Os empréstimos obtidos no BCE já representam mais de 30 por cento do PIB nacional e equivalem a uma parcela ainda maior da divida pública.

Ao contrário do que era esperado, os constrangimentos que se verificam na obtenção de liquidez não foram desbloqueados com a divulgação dos resultados dos testes de resistência aos bancos europeus. No final de Julho, CGD, BCP, BES, BPI e Santander Totta, passaram na prova, que abrangeu 91 bancos e que se destinava a incutir transparência e confiança aos mercados.

É a segunda vez em três meses que o primeiro-ministro, José Sócrates, se encontrou do ponto de vista institucional com os banqueiros portugueses. No final de Junho, os presidentes dos cinco maiores bancos foram recebidos, a seu pedido, pelo chefe do executivo. Na altura, os banqueiros foram chamar a atenção dos governantes para o impacto que as dificuldades do acesso à liquidez iriam ter na economia, caso estas persistissem.

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Coitadinhos

Estão preocupados com as contas públicas? Simples, comecem a pagar impostos, resolve-se o ...

zepagode

29.09.2010 15:09