BCE aceita dívida grega como colateral até ser considerada default pelas agências de rating 
05.07.2011 - 16:38 Por Lusa, PÚBLICO
O Banco Central Europeu continuará a aceitar a dívida grega como colateral nas operações de refinanciamento dos bancos, a menos que as quatro agências de ‘rating’ cortem a avaliação para default, noticia hoje o Financial Times.
De acordo com o jornal económico britânico, que cita uma fonte sénior não identificada, o BCE continuará a reger-se pelo principio do melhor ‘rating’ das quatro agências consideradas nas suas regras - Moody’s, Standard & Poor’s, Fitch e a canadiana DBRS - e só deixará de aceitar estes títulos caso todos as agências cortassem a notação de crédito para default.
A agência canadiana, no entanto, não faz a avaliação da nota de risco da dívida soberana da Grécia, o que restringe às três maiores agências norte-americanas as garantias admitidas pelo BCE.
O jornal escreve ainda que o apoio do BCE é crucial para Atenas uma vez que os bancos gregos estão dependentes, quase na totalidade, de financiamento do BCE para sobreviverem, tendo atingido os 100 mil milhões de euros no mês passado.
A notícia surge numa altura em que a Standard & Poor’s e a Fitch deram indicações de que uma ‘rollover’ da dívida grega, que estará a ser negociado com a Grécia e os responsáveis das principais economias europeias, seria considerado default, ou seja, entrada em incumprimento da dívida.
Uma das condições desse plano, que permitiria à Grécia receber mais 80 mil milhões de euros de empréstimo das autoridades internacionais e no qual participariam muitos dos bancos que são credores da Grécia, será precisamente que essa troca de títulos de dívida que atingem a maturidade nos próximos meses por novos títulos com maturidades mais extensas (30 anos) não seja considerada incumprimento pelas agências.
A Moody’s também já veio a público falar sobre esta possível troca de dívida, afirmando que caso os bancos fizessem este ‘rollover’ teriam de registar imparidades, mas não foi tão longe quanto a S&P e a Fitch, evitando falar em incumprimento.
O segundo empréstimo ao país estará mesmo atrasado devido às dificuldades dos países em colocarem os investidores privados a contribuírem para este resgate.
Responsáveis alemães e a franceses, contactados pelo Financial Times, dizem não estar muito preocupados com as considerações da S&P, indicando que o importante é evitar um ‘credit event’, que acionaria o pagamento de Credit Default Swaps, uma forma de seguro contra o incumprimento de dívida.
“O importante é evitar um ‘credit event’, após todo o impacto negativo nos credit default swaps que sofremos após a falência do Lehman Brothers”, afirmou um responsável alemão, citado pelo FT.
Para calcular o valor do colateral entregue pelos bancos nos empréstimos que pedem ao BCE, a instituição considera o ‘rating’ mais positivo das quatro agências, aplicando um ‘haircut’ (desconto) no valor desse ativo que serve de garantia (o desconto é maior quanto pior for o rating).
O BCE aceitava apenas colaterais com notação em nível ‘A’ até à crise financeira, tendo passado a aceitar também até ao último nível da chamada escala de investimento (aplicando no entanto um haircut maior). No caso da Grécia, e também da Irlanda, o BCE decidiu suspender os limites mínimos da notação de crédito após o pedido de ajuda e as dificuldades dos respetivos sistemas financeiros, continuando assim a aceitar a dívida grega e irlandesa como colateral.
Notícia actualizada às 18h06


