Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu
(Yves Herman/Reuters)O Banco Central Europeu (BCE) comunicou hoje que voltou a comprar dívida soberana da zona euro na passada semana, no total de 711 milhões de euros, incluindo, segundo a Bloomberg, dívida portuguesa.
A compra da dívida portuguesa, segundo disseram à agência de informação financeira três fontes com conhecimento das operações, foi feita a 10 de Fevereiro, mas ainda não tinha sido consolidada a 11 de Fevereiro, a data final para o anúncio das operações de compra na passada semana.
O total de dívida soberana que o BCE comprou desde que iniciou, em Maio, o programa de aquisição de dívida dos países da zona euro, chega assim aos 77 mil milhões de euros, segundo o banco central.
A última vez que o BCE tinha comprado dívida pública tinha sido na semana terminada a 22 de Janeiro, quando adquiriu 146 milhões de euros em obrigações.
O diferencial (spread) entre a dívida portuguesa a dez anos e a alemã com o mesmo prazo atingiu hoje os 426 pontos base, contra 412 de há uma semana.
A instituição presidida por Jean-Claude Trichet tem vindo a pressionar os governos da zona euro para que assumam mais responsabilidades na crise de dívida europeia, que já obrigou aos resgates da Irlanda e da Grécia. Ainda há uma semana, Trichet lembrava haver entre os Dezassete da eurolândia países que se comportaram “de maneira anormal” e pedia para assumirem as suas responsabilidades individuais.
O actual programa de compra de dívida pelo banco central europeu
O BCE tem estado dividido, no entanto, quanto à possibilidade do fundo europeu de resgate comprar dívida dos países, com o governador do banco central alemão, Axel Weber, sobretudo, a opor-se a esta opção.
Caso o fundo pudesse comprar dívida, tal medida iria retirar a pressão sobre os governos – que vêem os recursos diminuir e a contestação social aumentar – para que reforcem as contas públicas, disse hoje o relatório mensal do BCE.
A meio de Dezembro, o BCE realizou um aumento de capital em capital em cinco mil milhões de euros (para 10,6 mil milhões de euros), para se preparar para eventuais perdas decorrentes das compras de dívida soberana.



