Semedo considera que o corte no subsídio de Natal foi “um brutal agravamento da austeridade”
(Daniel Rocha (arquivo))O vice-presidente da bancada parlamentar do BE considerou hoje que o corte de rating da dívida portuguesa pela agência de notação financeira Moody’s confirma que as medidas de austeridade não “acalmam e põem cobro à especulação financeira”.
Para João Semedo, “não são as políticas de austeridade nem de recessão económica – as políticas da troika, deste governo e do anterior governo – que acalmam e põem cobro à especulação financeira dos mercados e das agências de rating, bem pelo contrário”.
Em declarações à Lusa, o deputado do Bloco de Esquerda observou que os “especuladores financeiros percebem que a economia de Portugal está cada vez mais frágil” e que “são maiores as dificuldades para cumprir os compromissos do País relativamente à sua dívida pública”.
Semedo considera ainda “particularmente significativo de que a especulação financeira não termina com as políticas de austeridade” o anúncio governamental de “um novo imposto de valor equivalente a 50 por cento do subsídio de Natal”, que considerou ser “um brutal agravamento da austeridade”.
Para reforçar a sua argumentação, adiantou que “a resposta dos mercados [foi] exactamente a de degradar a nossa notação financeira”.
A agência de notação financeira Moody’s cortou hoje em quatro níveis o rating de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de lixo (junk).
Em comunicado, a agência apresenta três razões que justificam esta revisão em baixa – entre as quais a de que existe o risco crescente de Portugal precisar de um segundo pacote de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar aos mercados no segundo semestre de 2013 – e mantém o Outlook negativo.
“Ao contrário do que o anterior e este governo têm dito e prometido aos portugueses, o combate à especulação financeira, que degrada a situação económica e financeira dos países mais frágeis como Portugal, exige outro tipo de medidas, não programas de austeridade e recessão que enfraquecem as possibilidades da economia do País aos olhos dos especuladores e dos mercados financeiros”, frisou João Semedo.



