O BE considerou hoje que a reavaliação das obras públicas anunciada pelo Governo foi "como se a montanha parisse um rato" e defendeu que todo o programa de investimentos deve ser posto em causa.
"É como se uma montanha parisse um rato, porque de facto não há novidades significativas em relação a uma necessária, indispensável, reorganização pública dos investimentos que o país, na situação económica e financeira que atravessa, de grande dificuldade, exigiria", declarou aos jornalistas o deputado do BE Heitor de Sousa, no Parlamento.
"O Governo está, no fundo, a manter a mesma política, mas a tentar fazer passar uma mensagem que não corresponde à realidade, que é a de rever um programa de investimentos que, todo ele, deve ser posto em causa e deve ser reanalisado", reforçou o deputado do BE.
De acordo com Heitor de Sousa, "uma boa parte dos investimentos públicos tem pressupostos que não correspondem a nenhuma das realidades sectoriais que se vivem ao nível dos transportes em Portugal".
Como exemplos, o deputado do BE apontou a concessão do terminal de contentores de Alcântara, o novo aeroporto de Lisboa e algumas das auto-estradas, questionando os pressupostos de tráfego que estão na base destas obras.
Heitor de Sousa referiu que o ministro António Mendonça, "em Janeiro, na Comissão de Obras Públicas, prometeu que iria repensar as principais prioridades do investimento público, nomeadamente ao nível rodoviário".
"E, pelos vistos, as decisões que o ministro recentemente tomou sobre essa matéria, nomeadamente a concessão de uma nova auto-estrada, do Pinhal Interior, que é a maior concessão que foi feita nos últimos anos em Portugal, indiciam que precisamente não houve nenhuma tentativa de repensar esses investimentos", lamentou o economista.



