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Leilões de dívida pública portuguesa

BPI não financia o Estado português há meses

06.04.2011 - 07:39 Por Cristina Ferreira

<p>O investimento em dívida nacional vai ser particularmente penalizado nos teses de resistência à banca</p>

O investimento em dívida nacional vai ser particularmente penalizado nos teses de resistência à banca

 (Shamila Mussa (arquivo))
Há muitos meses que o BPI não investe um cêntimo em dívida portuguesa, onde ainda continua a deter investimentos de 2,88 mil milhões de euros que têm associadas menos-valias potencias de 305 milhões de euros, conforme consta da documentação oficial entregue às autoridades.

O grupo liderado por Fernando Ulrich é, em termos relativos, dos grandes bancos a operar em Portugal, aquele que revela a maior exposição à divida pública europeia, com investimentos de quase seis mil milhões de euros.

Só em obrigações soberanas portuguesas, gregas e irlandesas, possui investidos mais de cinco mil milhões de euros, detendo ainda na sua carteira dívida italiana. No conjunto, os activos soberanos europeus detidos pelo BPI têm associadas menos-valias não reveladas superiores a 600 milhões de euros.

Os valores estão registados na carteira de activos de longo prazo do BPI datada de 31 de Dezembro de 2010, não tendo o banco desde essa altura adquirido dívida portuguesa.

O PÚBLICO procurou obter uma declaração sobre este tema junto do grupo, mas o BPI não quis comentar. Na sua intervenção semanal na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa revelara que um dos grandes bancos portugueses não tinha participado no último leilão de divida soberana realizado na semana passada, mas não especificou o nome da instituição. O PÚBLICO sabe que se trata do BPI, que há vários meses que não financia o Estado português. Hoje o Governo propõe-se ir levantar fundos ao mercado de mais 500 milhões e euros, e tudo indica que as obrigações do Tesouro serão de novo subscritas pelo sector financeiro português.

Em Janeiro, a banca a operar em Portugal tinha 18,367 mil milhões de euros aplicados em títulos de dívida pública nacional, o que traduzia um ligeiro decréscimo face a Dezembro de 2010 (18,915 mil milhões de euros). No global, o valor representava 2,5 por cento do activo total do sector.

Só a CGD, BCP, BES, BPI e Santaner Totta possuíam 74 por cento do stock de dívida nacional, detendo nas suas carteiras (de tesouraria e de longo prazo) cerca de 14 mil milhões de euros de obrigações públicas com várias maturidades.

O investimento em dívida soberana nacional vai ser particularmente penalizado nos teses de stress que irão ser realizados aos bancos europeus. No cenário macro-económico mais violento (recessão de três por cento) previsto nas provas de resistência à banca portuguesa, será testada uma desvalorização de 19,8 por cento nas obrigações do Tesouro a dez anos. A perda de valor só abrangerá os títulos que estão na carteira do trading (para negociação), deixando de fora a dívida contabilizada como investimento.

O actual contexto de deterioração dos ratings da República, e por arrastamento dos bancos, levou os presidentes dos principais grupos financeiros nacionais a intervir publicamente durante a semana, em articulação com o Banco de Portugal, no sentido de sensibilizar as autoridades para a necessidade de serem encontradas novas formas de assegurar liquidez ao Estado que não envolvam, como principais financiadores, os bancos a operar em Portugal. Nos últimos meses têm sido os bancos que têm estado a alimentar, em circuito fechado, os leilões de dívida soberana.

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Comentário + votado

Tem de haver moral e responsabilidade.

Há que despedir os "príncipes" que estão à frente das Empresas Públicas e substituí-los por outros ...

Ulisses de Troia

06.04.2011 14:46