BPN perdeu 200 milhões de euros em depósitos nos últimos quinze dias 
06.01.2011 - 08:55 Por Lusa, PÚBLICO
O BPN perdeu cerca de 200 milhões de euros em depósitos nos últimos quinze dias, após o banco se ter tornado o centro das atenções das eleições presidenciais e do Parlamento, disse à Lusa fonte ligada à instituição.
Esta é a segunda vaga de “fuga” de depósitos no BPN desde que foi nacionalizado em Novembro de 2008, depois de ter passado de um total de depósitos de clientes de 4,5 mil milhões de euros em 2008 para os actuais três mil milhões de euros. No passado, segundo a mesma fonte, grande parte destes depósitos foram “transferidos” para a Caixa Geral de Depósitos (CGD), sendo que actualmente, em termos de tabela de remuneração de depósitos, o BPN está a oferecer mais 0,25 por cento do que o banco estatal.
O BPN tem sido palco da campanha para as eleições presidenciais, depois de Cavaco Silva ter afirmado na semana passada que os gestores da CGD faziam uma “gestão em part-time” no banco, o que “não é muito habitual”. Os seus opositores, por sua vez, estão a exigir que o actual Presidente da República esclareça a sua operação de compra e venda de acções do BPN.
A polémica em torno do BPN ganhou novo fôlego quando, no final de Dezembro, a administração do banco pediu ao Ministério das Finanças para fazer um aumento de capital no montante máximo de até 500 milhões de euros, sobre o qual o Governo ainda não tomou qualquer decisão.
Nacionalizado em Novembro de 2008
O BPN, gerido pela CGD desde que o banco foi nacionalizado, em Novembro de 2008, registou nos primeiros nove meses de 2010 um resultado líquido negativo de 42,2 milhões de euros, face ao prejuízo de 87 milhões de euros obtido em igual período de 2009, segundo dados da própria instituição.
Na altura, o BPN anunciou também que a margem financeira atingiu os 59,3 milhões de euros entre Janeiro e Setembro, uma subida de 12,5 por cento em termos homólogos, ainda que o produto da actividade tenha recuado ligeiros 0,9 por cento para 135,4 milhões de euros.
Os custos operacionais mantêm a tendência dos trimestres anteriores, recuando 15,1 por cento no final do terceiro trimestre, uma redução de 25,4 milhões de euros face a Setembro do ano passado.
Segundo o BPN, o activo líquido “tem registado uma especial resiliência dado o contexto em que a instituição opera”, situando-se nos 7345,8 milhões de euros, uma ligeira quebra de 2,2 por cento face ao final do ano passado e de 7,9 por cento quando comparado com Setembro de 2009.
O crédito a clientes (bruto) desceu ligeiros 0,2 por cento em termos homólogos, para 7,064 mil milhões de euros, ao passo que os recursos captados a clientes baixaram 19,2 por cento, para 3,03 mil milhões de euros.


