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Roubos virtuais de milhões de licenças

Bruxelas suspende comércio de CO2 devido a burlas informáticas

19.01.2011 - 16:00 Por Ricardo Garcia

<p>Roubos lançam dúvidas sobre segurança do mercado de carbono</p>

Roubos lançam dúvidas sobre segurança do mercado de carbono

 (Reuters)
A Comissão Europeia suspendeu hoje o comércio europeu de licenças de emissões, na sequência do roubo de direitos de milhões de toneladas de CO2 dos registos informáticos do sistema.

Ontem, a corretora Blackstone Global Ventures, baseada na República Checa, deu conta do desaparecimento de licenças equivalentes a 475.000 toneladas de CO2 da sua conta no sistema europeu de comércio de emissões – avaliadas em cerca de sete milhões de euros. “Estamos a dá-las como roubadas”, disse um porta-voz da empresa, Daniel Butler, citado pela agência Reuters.

Na sequência deste episódio, quatro países – República Checa, Grécia, Estónia e Polónia – suspenderam as transacções dos seus registos nacionais do comércio de emissões. A Áustria também fez o mesmo ontem, devido a outro ataque de piratas informáticos à sua conta, a 10 de Janeiro.

O comércio de emissões envolve a compra e venda de licenças entre empresas, efectuada sobre uma plataforma virtual. A segurança do sistema já tinha sido posta em causa noutros episódios. Em Fevereiro, empresas alemãs foram prejudicadas por acessos não-autorizados às suas contas. E, em Novembro, 1,6 milhões de licenças foram roubadas da conta de uma empresa romena de fabricação de cimento.

Aparentemente, parte das licenças roubadas na Roménia integram o lote que agora desapareceu do registo checo. Isto significa que o produto do roubo anterior foi efectivamente comercializado, contornando medidas de segurança adicionais entretanto preconizadas por Bruxelas.

Hoje, a Comissão Europeia decidiu suspender o comércio de emissões por uma semana, dadas “as recorrentes falhas de segurança nos registos nacionais nos últimos dois meses”, segundo um comunicado divulgado esta tarde. A suspensão tem efeitos a partir das 18h00 de hoje até às 18h00 do próximo dia 26.

A Bluenext – a principal bolsa europeia para o mercado de carbono – já tinha suspendido, esta manhã, parte das suas operações, para a implantação de medidas de segurança. A empresa “dessincronizou” as suas actividades. “Isto significa que, enquanto as transações continuam a ser feitas, nem as entregas nem os pagamentos acontecem”, disse um porta-voz da Bluenext, citado pela Point Carbon, um portal de notícias sobre o mercado de carbono.

Segundo a Comissão Europeia, depois dos primeiros casos, no princípio de 2010, Bruxelas procurou garantir a adopção de medidas de segurança nos registos nacionais, da responsabilidade dos Estados-membros. “Os incidentes das últimas semanas sublinham a necessidade urgente de todos os registos assegurarem que estas medidas sejam rapidamente implementadas”, diz a Comissão, no seu comunicado.

Portugal adopta medidas de segurança

Nenhuma tentativa de ataque informático ao registo nacional de direitos de emissões foi identificada até agora em Portugal, segundo informação da assessoria de imprensa do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. Ainda assim, está a ser implementado um sistema de dupla identificação para acesso ao registo, em articulação com a Comissão Europeia.

Os ataques informáticos nos últimos meses são vistos como um sério golpe ao comércio europeu de carbono, que está em vigor desde 2005. “É preocupante e põe em causa a credibilidade e a integridade do sistema”, opina Francisco Rosado, director-geral da empresa Ecotrade, que actua no mercado de carbono em Portugal. “Isto tem de ser rapidamente combatido”, acrescenta Rosado, explicando que as falhas de segurança podem afastar os investidores do mercado.

Criado como uma forma de reduzir as emissões de CO2 da indústria ao custo mais baixo, o mercado europeu de carbono envolve a alocação de uma quantidade anual de licenças a cada unidade fabril. No final do ano, é devolvido um número de licenças equivalente às emissões reais naquele período. Quem tiver licenças em excesso, pode vendê-las a quem delas necessite.

Este comércio movimentou, em 2009, cerca de 88 mil milhões de euros, segundo dados do Banco Mundial. No ano passado, houve uma quebra significativa.

Ontem, transaccionaram-se apenas 55 mil licenças, contra uma média de 350 mil por dia em 2010.

Notícia actualizada às 17h58

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Agradeçam

Roubadas ? Digamos que se evaporaram. Este mercado já é vaporware por definição, negoceia-se sobre ...

miguel_ssousa

19.01.2011 17:05