Carvalho da Silva e João Proença na Autoeuropa confiantes no êxito da greve geral 
24.11.2010 - 08:32 Por Lusa
Esta é a segunda greve geral marcada pelas duas centrais sindicais
(Foto: Nuno Ferreira Santos)Os líderes da CGTP-IN e da UGT afirmaram-se hoje confiantes no êxito da greve geral e acreditam que a mesma vai contribuir para mudar o rumo da política nacional.
Carvalho da Silva e João Proença iniciaram hoje a sua jornada de luta nas instalações da Autoeuropa, a unidade industrial do grupo Volkswagen, em Palmela.
“Estamos aqui na principal unidade privada industrial do país, não haverá produção e essa é também a situação geral no parque industrial da Autoeuropa”, disse Carvalho da Silva, reafirmando a convicção no êxito da greve geral.
O secretário-geral da CGTP destacou também a paralisação dos trabalhadores do sector portuário que, segundo disse, levou ao encerramento de todos os portos nacionais, bem como a grande adesão à greve no sector ferroviário, na Soflusa (barcos do Barreiro), em muitas câmaras municipais e na área da saúde.
Carvalho da Silva considera que a greve geral representa um contributo decisivo para relançar a discussão sobre o salário mínimo nacional e para a reposição de alguns direitos a camadas de trabalhadores e população “que foram colocados em situação de pobreza e de miséria” e ainda para lançar “uma dinâmica de desenvolvimento produtivo”.
Confrontado com os incidentes ocorridos de madrugada na estação de correios de Cabo Ruivo, Carvalho da Silva disse que se trata de uma situação que se tem vindo a repetir quando há lutas laborais e adiantou, sem especificar, que “houve outros incidentes noutras zonas do país”.
"Não podem ser só os trabalhadores a pagar a factura"
Por sua vez, o líder da UGT justificou a greve geral com a necessidade de políticas diferentes que correspondam às necessidades de emprego no país.
“Neste momento, há uma política errada que pede demasiados sacrifícios aos trabalhadores, deixando de fora muitos que poderiam pagar muito mais. Hoje temos necessidade de combater o défice - é indispensável - sob pena de termos aí o FMI”, afirmou João Proença.
“Não podem ser só os trabalhadores a pagar a factura e, por outro lado, estas políticas de combate ao défice afundam o país e não vamos a lado nenhum”, adiantou.
A CGTP e a UGT realizam hoje uma greve geral conjunta contra as medidas de austeridade, anunciadas pelo Governo em Setembro, que têm como objectivo consolidar as contas públicas, entre as quais os cortes de salários dos trabalhadores do Estado, o congelamento das pensões em 2011 e o aumento do IVA.
Esta é a segunda greve geral marcada pelas duas centrais sindicais - a primeira realizou-se há 22 anos contra o pacote laboral.


