Cavaco manifestou-se convicto de convicto de que o Governo "irá fazer uma boa negociação"
(Daniel Rocha)O Presidente da República recusou hoje intervir na negociação com a oposição do pacote de ajuda financeira a Portugal e defendeu um "programa interino" de Bruxelas até às eleições.
Questionado se entende que terá de ser o Governo a negociar com os partidos o pacote de ajuda financeira que irá apresentar a Bruxelas, Cavaco Silva foi peremptório na resposta: “A senhora não está com certeza a imaginar que seja o Presidente da República”, afirmou, em Budapeste, à margem de uma reunião dos nove chefes de Estado europeus sem poderes executivos - o Grupo de Arraiolos.
Sublinhando que o chefe de Estado “não tem meios para realizar negociações”, pois não dispõe de ministérios, nem de grupos de apoio técnico, nem tal é permitido pela Constituição, Cavaco Silva limitou a intervenção que um Presidente da República poderá ter a “diligências de natureza política”.
“O Presidente da República faz diligências de natureza política por forma a que os diversos partidos possam aderir de uma forma responsável à solução de uma posição de emergência a que Portugal chegou”, sustentou, insistindo que a Constituição é clara nesta matéria e estabelece que “o Presidente da República não governa, nem legisla”.
Recusando comentar as declarações do ministro das Finanças, que na sexta-feira defendeu que não é responsabilidade do Governo negociar com a oposição o pacote de assistência a Portugal, Cavaco Silva renovou o seu apoio ao Executivo na tomada de “medidas necessárias à defesa do superior interesse nacional”.
A este propósito, o chefe de Estado adiantou que logo após o anúncio do Governo de que iria apresentar um pedido formal de ajuda externa às instituições europeias, desenvolveu diligências junto dos partidos da oposição, dos quais dois já declararam publicamente o apoio à iniciativa do executivo.
“É preciso que todos estejam conscientes que este é um tempo muito sério, Portugal encontra-se numa situação bastante difícil e é preciso da parte de todas as forças políticas uma cooperação responsável e que se deixe de lado completamente querelas do passado”, sustentou, alertando, contudo, para a necessidade do Executivo também ir mantendo a oposição informada sobre as negociações com Bruxelas para ter “um apoio claro e inequívoco”.
O Presidente da República considerou ainda que terá que existir “alguma imaginação” das instituições europeias para encontrar um “programa interino” de apoio financeiro a Portugal, que permita ao próximo Governo fazer as “negociações finais”.
“Espero que os nossos parceiros tenham em consideração que vamos para eleições a 5 de junho, por isso o que precisamos agora é de um programa interino para que o próximo Governo possa participar nas negociações finais, porque é o próximo Governo que vai implementar o programa”, afirmou o chefe de Estado português.



