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“É indispensável” diminuir a exposição da banca às empresas públicas, diz Cavaco Silva

Congresso da Ordem dos Economistas

Cavaco Silva: é preciso evitar que a sociedade sinta que a distribuição dos sacrifícios é “injusta”

19.10.2011 - 10:03 Por Ana Rita Faria

 (Rafael Marchante/ Reuters (arquivo))
O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje que a austeridade orçamental não basta para colocar o país na rota do crescimento e avisou que é preciso evitar que a sociedade portuguesa sinta que a distribuição dos sacrifícios é injusta.

No discurso de aberto do Congresso da Ordem dos Economistas, que começa hoje em Lisboa, Cavaco Silva repetiu um alerta que já tinha feito anteriormente: “a austeridade orçamental, só por si, não garante que, no futuro, o país se encontrará numa trajectória de crescimento económico e melhoria das condições de vida”.

Para isso, destaca o Presidente da República, é necessário evitar “a todo o custo” duas situações. Em primeiro lugar, “é necessário evitar que cresça na sociedade portuguesa o sentimento de que é injusta a distribuição dos sacrifícios, que se exige relativamente menos aos que têm maior capacidade contributiva do que a muitos outros com rendimentos mais baixos”. Um alerta que surge depois de o Governo ter anunciado que quer eliminar, em 2012, os subsídios de férias e de natal para os funcionários públicos e pensionistas.

Para Cavaco Silva, a distribuição justa dos sacrifícios é “uma questão que os decisores políticos devem prestar a máxima atenção”, já que “as injustiças semeiam a descrença nas instituições e minam a coesão nacional”.

Em segundo lugar, a consolidação das contas públicas deverá ser complementada com a execução de reformas e criação de condições estruturais, bem como de medidas para reforçar a competitividade das empresas e aumentar a taxa de crescimento potencial da economia.

O Presidente da República volta a referir, nomeadamente, a necessidade de aumentar a poupança nacional e a produção de bens transaccionáveis, de modo a reduzir o défice externo português.

”É imperioso relançar o investimento privado

O Presidente da República defendeu ainda que “é imperioso relançar o investimento privado e, em especial, captar investimento estrangeiro de qualidade”.

As previsões para 2011 apontam para um recuo do investimento para valores reais inferiores aos verificados em 1995, uma situação que, salienta Cavaco Silva, tem de ser corrigida, sob pena de pôr em causa a própria capacidade instalada indispensável para garantir o crescimento das exportações.

Para isso, é preciso reorientar os fundos do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), em articulação com a Comissão Europeia, no sentido de privilegiar o fomento da competitividade, e é também necessário melhorar a imagem do país no exterior. “É urgente combater a percepção negativa que alguns dos investidores têm da situação portuguesa”, afirma Cavaco Silva.

Notícia actualizada às 10h35

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