O presidente executivo da Galp, Ferreira de Oliveira, disse que a refinação atravessou "o pior dos dois mundos"
(Paulo Ricca)As margens de refinação situaram-se praticamente no zero em 2011, registando uma quebra de 78% face ao ano anterior e pressionando os resultados da petrolífera, anunciou hoje o presidente executivo, Ferreira de Oliveira.
Numa conferência de imprensa para apresentação de resultados, o responsável máximo da Galp sublinhou que a área da refinação atravessou no ano passado “o pior dos dois mundos”. Por um lado, o crude subiu cerca de 40% face a 2010; por outro, o mercado em contracção levou a uma quebra de 7% na procura global de produtos petrolíferos em Portugal, com vendas totais de 9,6 milhões de toneladas.
O resultado foi uma descida de 5% nas vendas de produtos petrolíferos da própria Galp, para 10,5 milhões de toneladas, e uma diminuição de 38% no Ebitda (lucros antes de impostos, taxas, deduções e amortizações) da área de refinação e distribuição.
Este “cenário dantesco” na refinação, que se fez sentir em 2011, de acordo com o gestor, foi também a principal causa de uma quebra de 17,9% no resultado líquido face ao ano anterior, para 251 milhões de euros (resultado a custos ajustados).
Ainda assim, o desempenho das restantes áreas de negócio foi positivo, com destaque para o gás natural, que “foi a estrela dos três negócios devido às operações de trading internacional em paralelo com o crescimento em Espanha.”
Já na exploração e produção, o Brasil tem cada vez mais peso nos resultados. A venda de 30% da Petrogal Brasil aos chineses da Sinopec acordada em Novembro passado, e que deverá concretizar-se este ano, irá permitir à companhia ficar numa posição de “extrema solidez financeira”.
As acções da Galp estavam hoje a cair 2,08% na bolsa de Lisboa, já perto do fecho da sessão.



