Arménio Carlos diz que os portugueses "já ouviram a história dos sacrifícios variadíssimas vezes"
(Foto: Nuno Ferreira Santos)O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, defendeu que os responsáveis da troika estão em Portugal a “cumprir uma missão”, que “não é ajudar Portugal”, apelando aos portugueses para se manifestarem na greve geral de 22 de Março.
No final de uma reunião, que durou cerca de hora e meia, com os responsáveis da troika, o dirigente sindical mostrou-se pouco confiante numa mudança das medidas de austeridade em curso, dizendo aos jornalistas que “estes senhores comportam-se como robôs”.
“Vêm aqui cumprir uma missão e essa missão não é ajudar Portugal, mas ajudar os mercados”, declarou, referindo que deixou uma série de avisos sobre as consequências de prosseguir uma política de austeridade que não contempla o crescimento económico.
À saída do Centro Europeu Jean Monnet, em Lisboa, Arménio Carlos falou aos portugueses e apelou a “uma participação significativa na greve geral de 22 de Março, para mostrar que o povo português tem dignidade e não aceita que ponham em causa a sua forma de estar”.
O secretário-geral disse que os portugueses “já ouviram a história dos sacrifícios variadíssimas vezes”, realçando que “não houve nenhum problema que tenha sito resolvido”.
“A repetição da história é uma fraude. Não se resignem e exijam que respeitem os direitos”, disse, lembrando que “ainda hoje a União Europeia reconheceu que vai haver um aumento da recessão e do desemprego”.
Entre os recados que deixou aos representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Central Europeu (BCE) e da União Europeia (UE), o sindicalista avisou que “daqui a seis meses, se não houver alterações das políticas, a situação económica e social vai ser pior do que a de hoje”.
A dinamização do sector produtivo, para reduzir as importações e a dívida, a promoção do emprego de qualidade e o combate à precariedade e uma nova política de rendimentos que assegure o desenvolvimento económico foram algumas das propostas que a CGTP levou para a reunião.
O encontro realizou-se a pedido da troika para fazer uma análise e avaliação da implementação do memorando de entendimento, no âmbito da terceira avaliação do Programa de Assistência Económica e Financeira de Portugal.
A UGT reuniu-se na segunda-feira com a troika com o mesmo objectivo. Esta é a segunda vez que as centrais sindicais se reúnem com a troika. A primeira foi antes da assinatura do Memorando de Entendimento.
Os técnicos liderados por Poul Thomsen (FMI), Jürgen Kröger (CE) e Rasmus Rüffer (BCE) deverão permanecer em território nacional, a avaliar as metas do programa português, durante cerca de duas semanas, para decidir se recomendam ou não o desembolso da quarta tranche do empréstimo a Portugal.
Portugal recebeu até ao mês passado quase 40 mil milhões de euros do empréstimo do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia, mais de metade do valor total acordado com as instituições em maio do ano passado.



