Os órgãos sociais do Montepio decidem hoje se aprovam o acordo
(Daniel Rocha)A CMVM notificou o Montepio Geral e o Finibanco para prestarem esclarecimentos sobre as notícias que dão conta de um acordo para a compra do capital do banco controlado pela família Costa Leite.
"Notificámos o Finibanco e o Montepio para que prestem esclarecimentos urgentes ao mercado sobre as notícias entretanto publicadas", disse ao PÚBLICO fonte oficial da entidade reguladora.
As acções do Finibanco continuam suspensas, depois de ontem a CMVM ter exigido que os títulos parassem de negociar ao detetectar-se uma subida e um volume de transacções anormais.
Quando foram suspensos "a aguardar a divulgação de informação privilegiada", os papéis do Finibanco estavam a valorizar-se quase 14 por cento, para 1,48 euros.
A CMVM está a averiguar o que está por trás desta escalada súbita das acções.
O Montepio Geral e a família Costa Leite chegaram a acordo para a venda do Finibanco, uma operação avaliada entre 250 a 300 milhões de euros, que ainda não foi anunciada formalmente pois falta a sua aprovação pelos órgãos sociais do Montepio Geral.
A instituição mutualista, que é dona da Caixa Económica e tem cerca de 250 mil associados, tem agendada para esta tarde, às 16h, uma reunião do seu conselho geral. Só depois se deverão saber novidades sobre o processo.
A compra do Finibanco deverá implicar o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), já que a família Costa Leite tem mais de 60 por cento do capital do banco, uma percentagem que ultrapassa largamente o limite de 33 por cento do capital acima do qual é obrigatório o lançamento de uma OPA.
O Banif, que tem dez por cento do Finibanco, foi apanhado de surpresa pela notícia do acordo de venda.
A concretizar-se, a junção entre a Caixa Económica e o Finibanco dará origem a um grupo com mais de 500 balcões e um activo superior a 20 mil milhões de euros.
O futuro grupo ultrapassará em dimensão o Banif e ficará mais perto do Crédito Agrícola.



