Apenas estão garantidos três por cento de serviços minimos
(Pedro Melim)Os comboios da CP vão voltar a paralisar de 22 a 25 de Abril devido a greve de maquinistas. Entre os dois feriados colados ao fim-de-semana da Páscoa, apenas estão garantidos serviços mínimos nos comboios Intercidades e nas ligações urbanas entre Porto e Aveiro.
A ferroviária nacional prevê quatro dias “com elevadíssimas perturbações” que se vão iniciar, caso a greve se concretize, a partir das 22 horas de quinta-feira, por causa da mudança de turno dos maquinistas da CP entre amanhã e sexta-feira, avançou ao PÚBLICO a porta-voz da empresa, Ana Portela.
Sob decisão do tribunal arbitral, apenas haverá três por cento de serviços mínimos, correspondentes a 12 comboios Intercidades (são realizadas num dia de semana normal 32 ligações) e a 22 urbanos entre Porto e Aveiro, “uma vez que o fim-de-semana de Páscoa é dos que em maior número de pessoas utiliza os comboios da CP na região”, explica Ana Portela.
Perto de 800 comboios urbanos de Lisboa, 300 do Porto e 24 de Coimbra não vão sair das estações, como também nenhum regional do país vai circular nos quatro dias de greve.
A paralisação total, decretada pelos maquinistas no contexto das greves às horas extraordinárias entre 16 e 30 de Abril, será ainda acompanhada pela paralisação dos revisores no Domingo, dia de Páscoa, segundo decretou o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante.
Os sindicatos dos trabalhadores do universo CP agendaram greves para Abril – na sequência das paralisações que mantêm desde Fevereiro – para protestar contra os cortes salariais, abrangidos no Orçamento do Estado, nas horas extraordinárias, no horário nocturno, nos dias de descanso e nos feriados.
Os representantes dos trabalhadores e a administração da empresa reuniram a 1 de Abril, com a promessa de ser feito um estudo à adequação das condições de trabalho para a aplicação de um acordo de empresa para apresentar aos ministérios da Finanças e das Obras Públicas. O acordo está escrito, a luz verde das duas tutelas mantém-se, mas até agora nada de formal foi assinado entre a empresa e os sindicatos, para passar a ser aplicado o acordo de empresa em vez do actual regime da Função Pública, que veicula os cortes do OE.
Hoje, perto de cem trabalhadores do sector dos transportes e comunicações estiveram, segundo a agência Lusa, em frente ao Ministério das Finanças, em Lisboa, a protestar contra cortes salariais e a eventual privatização de algumas empresas do sector.



