Vítor Constâncio terá concluído que o défice para este ano atingirá sete por cento do PIB
(António Cotrim/Lusa)A comissão liderada pelo governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, para avaliar a situação orçamental deixada pelo anterior Governo, terá concluído que o défice real português para 2005 atingirá sete por cento do Produto Interno Bruto, refere hoje o jornal "A Capital", quatro pontos percentuais acima do valor permitido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.
O ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, afirmou ontem, no Centro Cultural de Belém, na conferência "Portugal em Exame", que o controlo do défice só será possível a partir de 2008 e que até esse ano será necessário fazer cortes orçamentais de quatro mil milhões de euros, número que foi repetido num artigo de opinião da sua autoria publicado ontem no PÚBLICO.
O deputado do PSD, Miguel Frasquilho, acusou o ministro das Finanças de ter antecipado há dois dias os resultados da comissão Constâncio. "O ministro das Finanças já vem anunciando esse valor, uma vez que disse que tinha que reduzir o défice em um ponto percentual por ano, até 2008. Se o défice tem de estar nos três por cento [do PIB], é claro que o ministro parte dos sete por cento", disse o economista ao jornal"A Capital".
Segundo o jornal, os números da comissão Constâncio motivaram um encontro no final da semana passada entre o primeiro-ministro, o ministro-adjunto do primeiro-ministro, Pedro Silva Pereira, o ministro da Administração Interna, António Costa, o ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, e o secretário de Estado-adjunto do primeiro-ministro, Filipe Baptista. O encontro serviu para definir que a situação orçamental não será escondida dos portugueses e que será passada uma mensagem de optimismo, ao contrário do que aconteceu com o discurso da "tanga" de Durão Barroso, quando chegou, há três anos, ao Governo.



