A CP estima poupar cerca de sete milhões de euros com a reestruturação da oferta na linha do Alentejo e com a interrupção da actividade na linha de Leixões e no ramal de Cáceres, disse o administrador Nuno Moreira.
O administrador responsável pelos serviços regional e de longo curso disse, em entrevista à Lusa, que os cortes na oferta no serviço regional que CP está a fazer surgem no âmbito de um esforço de racionalidade económica.
“Com um ambiente de crise como existe neste momento, não seria justificável estar a manter alguns destes serviços com valores que eram totalmente irracionais sob o ponto de vista económico”, afirmou Nuno Moreira.
De acordo com o responsável, os quatro comboios que a CP vai suprimir no ramal de Cáceres “correspondiam a um custo anual da ordem dos 700 mil euros”, enquanto a revisão que a transportadora está a fazer na Linha do Alentejo “irá proporcionar uma revisão de custos entre três e quatro milhões de euros anuais”.
Em 2010, o Ramal de Cáceres registou uma procura de 4331 passageiros, com uma média de 16 passageiros por dia, ou seja, quatro passageiros por comboio, segundo dados da CP.
A receita média foi de cinco euros por passageiro, ou seja 20 euros por comboio, enquanto os custos do serviço são de 761.418 euros por ano, correspondendo a cerca de 522 euros por comboio.
Na prática, cada passageiro transportado no percurso Torre das Vargens -- Marvão custa actualmente à CP mais de 125 euros por viagem, o que compara com a receita média de cinco euros por passageiro, de acordo com a transportadora.
Com a interrupção da actividade na Linha de Leixões “há valores da ordem dos dois milhões de custos que deixam de existir”, acrescentou o administrador.
Nuno Moreira disse que o fim do serviço de passageiros na Linha de Leixões também esteve relacionado com facto de parte do projecto inicialmente previsto não ter avançado, nomeadamente a construção de duas novas estações.
“Havia um projecto que envolvia colocar os comboios a servir as estações, fazer o desenvolvimento de mais duas estações -- junto ao hospital e junto à Efacec -- e também o fecho da linha até Matosinhos e aí fazer a ligação à estação do metro do Porto”, explicou.
“Fizemos a primeira fase do projecto e depois não houve os passos seguintes que eram a construção das estações e o prolongamento até Matosinhos. Ficou truncado o projecto”, acrescentou o responsável.
De acordo com dados da CP, a procura média mensal nesta linha é de 4500 passageiros e a receita de 4100 euros, enquanto o custo operacional médio ascende a 100.000 euros.
“Constamos que não conseguíamos manter um serviço tão deficitário que servia pouca população. A linha também precisava de algumas alterações ao traçado porque estava a provocar um grande desgaste das nossas automotoras”, justificou o administrador.



