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Presidente avança para redução do pessoal

CP espera lucros operacionais pela primeira vez este ano

24.01.2012 - 23:37 Por Carlos Cipriano

<p>A CP está a reduzir custos e a aumentar tarifas</p>

A CP está a reduzir custos e a aumentar tarifas

 (Manuel Roberto (arquivo))
De 2010 para 2011, a CP reduziu os seus prejuízos operacionais de 74 para 43 milhões de euros e espera, no final deste ano, vir a ter pela primeira vez lucros operacionais, que José Benoliel, presidente da empresa, estima em 48 milhões de euros.

Os lucros operacionais são o resultado entre as receitas e as despesas correntes de exploração, não entrando, naturalmente, em linha de conta os encargos financeiros (167 milhões em 2011) que esmagam as contas da empresa e fizeram aumentar os seus prejuízos de 195 milhões em 2010 para 255 milhões em 2011. No fim deste ano, estes prejuízos continuarão a crescer, apesar dos lucros operacionais, atingindo os 270 milhões de euros.

José Benoliel explica a melhoria dos resultados operacionais estimados para 2011 e previstos para 2012 pela contenção de custos efectuada na empresa, incluindo o encerramento de alguns serviços ferroviários, e pelo aumento das receitas resultantes do aumento das tarifas praticadas pela CP.

Já a dívida acumulada da CP, que terá atingido os 3,5 mil milhões de euros em Dezembro passado (as contas ainda não estão encerradas), deverá ascender aos 3,7 mil milhões no final de 2012, segundo as previsões dos responsáveis da empresa.

José Benoliel admite que a CP está com dificuldades em financiar-se no mercado, como consequência da descida doratingda República Portuguesa, que é o principal avalista da dívida da CP. O administrador diz que este problema não tem solução no curto prazo, porque nem a empresa nem o Estado têm recursos para obviar a esta situação. Deste modo, o passivo da empresa está condenado, na actual conjuntura, a crescer desmesuradamente.

"De forma resumida, eu trabalho, por um lado, com centenas de milhões de euros, na gestão corrente da empresa e, por outro, com milhares de milhões de euros no que tem a ver com o seu défice histórico e as necessidades de refinanciamento", disse o responsável da CP em declarações ao PÚBLICO.

Para continuar a reduzir custos, a empresa precisa de reduzir o número de trabalhadores que está afecto aos seus serviços centrais, defende este responsável. Uma tarefa que está a ser realizada pela consultora Deloitte, "que está a identificar as rotinas redundantes" nos vários departamentos.

Confrontado com o facto de a CP, numa altura de contenção, pagar a uma entidade exterior para reduzir os recursos humanos, José Benoliel diz que "ninguém faz uma reestruturação sem a estudar primeiro e isso custa dinheiro". Até porque, acrescenta, "não se consegue resolver um problema de excedente a partir de dentro da instituição". O administrador diz que "há três anos que a estrutura da empresa está desafiada a fazer esse trabalho de redução de pessoal e não o fez".

Esta diminuição de pessoal ocorrerá apenas ao nível dos serviços centrais e não no pessoal operacional, que, segundo José Benoliel, tem rácios idênticos ao de outras empresas congéneres estrangeiras. E ocorrerá também independentemente das decisões que vierem a ser tomadas sobre a privatização ou não de alguns serviços da CP.

Já sobre uma eventual futura privatização ou subconcessão de alguns dos serviços ferroviários, o presidente da empresa diz que está em causa uma opção ideológica do Governo porque, do ponto de vista empresarial, a privatização não é decisiva para melhorar o serviço prestado ao público.

"A CP não precisa de nenhuma privatização para fazer esse serviço desde que lhe dêem as mesmas condições que dão a qualquer privado. Se o Estado pagar as indemnizações compensatórias do serviço público, o caminho-de-ferro não tem por que dar prejuízo e a empresa equilibra-se na sua conta de exploração", conclui.

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