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Dinheiro aumentou ontem para 3,75 por cento

Crédito volta a ficar mais caro com aumento da taxa de juro do BCE

09.03.2007 - 09:30 Por José Manuel Rocha, PÚBLICO

<p>A política monetária continua a não favorecer o combate à inflação, defende Jean-Claude Trichet</p>

A política monetária continua a não favorecer o combate à inflação, defende Jean-Claude Trichet

 (Kai Pfaffenbach/Reuters (arquivo))
Cento e três euros. Foi quanto cresceu, num ano, a mensalidade a pagar por um crédito à habitação de 150 mil euros. Consequência do aumento do preço do dinheiro que o Banco Central Europeu (BCE) tem a vindo a determinar, com incrementos sucessivos da sua taxa de referência.

Ontem, a equipa de Trichet decidiu nova subida (3,5 para 3,75 por cento) e abriu caminho para um novo movimento em alta a breve trecho – os analistas dizem que será já em Junho. No espaço de um ano, a Euribor a seis meses – o indexante mais utilizado para calcular os juros de um empréstimo – passou de 2,78 para 3,96 por cento.

Para um empréstimo de 150 mil euros a pagar em 30 anos, ao qual é aplicado um “spread” (margem do banco) de 0,7, significa que a mensalidade a pagar ao banco passou de 671 para 774 euros.

As notícias chegadas de Frankfurt não são, assim, as melhores para as famílias portuguesas que contrataram empréstimos para financiar a compra de casa ou para as empresas que buscam na banca suporte financeiro para a sua actividade.

Como é normal em situações idênticas – ou seja, quando se perspectiva que o BCE abre portas a novo aumento da taxa de referência –, o que acontece é que a Euribor começa logo a refl ectir esse movimento anunciado.

Depois de descidas para níveis historicamente baixos (dois por cento), o BCE decidiu ontem a sétima subida consecutiva da taxa directora – para os 3,75 por cento. Mas as palavras do presidente do banco, Jean-Claude Trichet, no final da reunião do conselho de governadores, são preocupantes para as famílias.

Política acomodatícia

O presidente do BCE voltou ontem a utilizar a expressão fatal de que a política da instituição continua a ser “acomodatícia” – o que significa que favorece mais o crescimento económico do que o combate à inflação. E acrescentou que se mantêm riscos inflacionistas no médio prazo.

O problema é que a autoridade monetária europeia espera, agora, que o crescimento económico seja, este ano e em 2008, superior ao que tinha previsto. Mas também prevê que a inflação fique contida nos 1,8 por cento este ano e aumente para 2 por cento no ano que vem.

Com um crescimento económico mais vigoroso são naturais pressões sindicais no sentido de aumentos salariais mais significativos, o que acaba por ter reflexos nos preços. É esse o risco que o BCE quer limitar. “As declarações de Jean-Claude Trichet constituem um sinal claro de que deverá haver novo aumento da taxa de referência do BCE já em Junho”, afirmou à agência Bloomberg Thorsten Polleit.

Este analista do Barclays Capital, em Frankfurt, estima que a subida será, como ontem, de 25 pontos base. A grande diferença nas declarações do responsável máximo do banco central, que costumam dar azo a interessantes exercícios de interpretação, é que desta vez afirmou que as taxas estão “moderadas” e não “baixas”, o que poderá indicar que o ciclo de subidas poderá estar perto do fim.

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