Crise da dívida volta a agravar-se, arrastando o euro e as bolsas 
30.11.2010 - 07:35 Por Rosa Soares
Quando parecia que o mercado da dívida pública dos países periféricos da zona euro tinha razões para estabilizar, verificou-se exactamente o contrário.
O nervosismo voltou a dominar os investidores, o que fez disparar os juros das obrigações de vários países da zona euro, com destaque para os títulos de dívida portuguesa e espanhola, com valores próximos dos máximos. As obrigações portuguesas a 10 anos encostaram-se aos 7,4 por cento e as espanholas superaram os 5,5 por cento.
Significativa foi também a subida dos juros das obrigações italianas, que superaram os 4,5 por cento, e o mau resultado de uma emissão de dívida que o país realizou ontem e que foi colocada com juros mais altos e fraca procura.
O nervosismo dos mercado - a subida dos juros é gerada pela desvalorização do valor unitário da obrigação, ou seja, quem está a vender obrigações está a perder dinheiro - arrastou as bolsas europeias, que encerraram todas com quedas superiores a dois por cento. E as norte-americanas também negociaram em terreno negativo.
No mercado cambial, o euro também não escapou ao agravamento da crise da dívida, chegando a desvalorizar-se mais de um por cento e tocando mínimos de dois meses, a 1,31 dólares.
A esperança de que o mercado de dívida poderia entrar numa fase de estabilização prendia-se com o acordo para ajuda financeira à Irlanda. E ainda a decisão dos ministros das Finanças do eurogrupo de deixar os investidores privados fora dos custos de eventuais novos resgates.
Mas estas decisões não funcionaram face às novas previsões de crescimento da Comissão Europeia (ver texto ao lado).
A insistir no risco de mais resgates, Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, defendeu ontem que a situação da Espanha é a grande preocupação da zona euro.


