A Grécia vai ter de intensificar o esforço de correcção do desequilíbrio das contas públicas depois de o ministro das Finanças ter admitido que o défice orçamental do ano passado terá sido mais elevado do que o previsto.
A admissão de George Papaconstantinou foi feita quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciou ontem uma missão de duas semanas no país para apoiar tecnicamente o Governo no esforço de redução do défice, este ano, em mais de 4 pontos percentuais do PIB. O ministro admitiu terça-feira que o défice do ano passado terá atingido 12,9 por cento do PIB, mais duas décimas do que o previsto, embora vários jornais económicos apontem para valores superiores a 14 por cento.
Papaconstantinou explicou que a revisão em alta do défice resultou da recessão económica mais severa do que o previsto que afectou o país no ano passado, mas garantiu que esta situação não altera o compromisso assumido pelo Governo junto da União Europeia (UE) de redução do défice para 8,7 por cento do PIB este ano. Este compromisso foi definido no quadro do plano de ajuda, sob a forma de empréstimos bilaterais, acordado há duas semanas pelos líderes dos Vinte e Sete caso Atenas deixe de conseguir refinanciar a elevada dívida pública - de 300 mil milhões de euros, ou quase 120 por cento do PIB - no mercado a taxas aceitáveis.
Papaconstantinou deixou claro que o país não conseguirá aguentar muito mais tempo os elevados prémios de risco que são actualmente exigidos pelos investidores pelos títulos da dívida grega a dez anos, que ontem atingiram um novo máximo de 7,1 por cento, mais do dobro do que é pedido à Alemanha e o valor mais alto desde a adesão do país ao euro, em 2001.
Outro sinal da degradação da situação do país foi o anúncio ontem feito pelo ministro de que os bancos privados pediram uma ajuda suplementar de 17 mil milhões de euros das sobras do plano de 28 mil milhões lançado em 2008 para ajudar o sector a enfrentar a crise financeira. Levado na vaga da crise grega, o euro voltou ontem a perder terreno, atingindo o valor de 1,3356 dólares, contra 1,35 dólares na semana passada.
A instabilidade dos mercados foi agravada pelos rumores sobre alegadas tentativas do Governo de renegociar os termos do acordo dos Vinte e Sete, nomeadamente para afastar a participação do FMI - exigida pela Alemanha - cujas condições para a concessão de empréstimos são consideradas excessivamente duras. Atenas desmente qualquer intenção na matéria.
Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, insurgiu-se ontem contra os "rumores prejudiciais" em circulação que afectam "os que se devem submeter a várias medidas" de austeridade para a redução do défice. "O Governo grego não pediu para rever o acordo de há 15 dias, de modo algum", garantiu Van Rompuy durante uma intervenção no Parlamento Europeu.



