“Desastre” dos mercados é oportunidade para mudar, diz o pai do microcrédito 
15.11.2011 - 18:42 Por Lusa
Yunus lembrou que o microcrédito nasceu enquanto ideia social
(Carlos Lopes/arquivo)O Prémio Nobel da Paz em 2006, Muhammad Yunus, pioneiro do microcrédito, afirmou hoje que o “desastre total” dos mercados financeiros globais representam a “melhor oportunidade de mudar” o sistema.
O economista do Bangladesh, que recebeu o Nobel graças ao trabalho à frente do banco Grameen, que fundou para combater a pobreza através de microempréstimos, disse hoje em conferência de imprensa que o surpreende o facto de o crédito – embora a uma escala muito maior – defina a agenda política “a ponto dos governos entrarem e saírem” por causa da dívida soberana, referindo-se a Itália e à Grécia.
“Estamos obcecados com a avareza, com ter dinheiro, estamos centrados só em nós”, considerou Yunus, à margem da V Cimeira do Microcrédito, que decorre em Valladolid, defendendo ainda o microcrédito como forma de “redesenhar totalmente o sistema” e os valores que regem a sociedade.
O Nobel da Paz lamentou também a preocupação única das empresas pelo lucro e sublinhou a necessidade de “mudar de modelo” para que ganhem terreno as empresas com preocupações sociais, que visam melhorar as condições de vida das populações.
“O microcrédito nasceu como uma ideia social, nunca com o intuito de ganhar dinheiro”, afirmou aquele que ficou conhecido em todo o mundo como “o banqueiro dos pobres”.
O economista lamentou que, assim que os sistemas de microcrédito começaram a ganhar respeito, “houvesse quem tivesse abusado” e colocasse em causa a credibilidade das instituições que garantiam empréstimos aos mais pobres.
“Houve quem quisesse fazer dinheiro com o sistema, esquecendo-se de que o único objectivo do microcrédito era ajudar quem perdia os empréstimos”, referiu.


