A economia alemã começa a dar indicações de que poderá ser o "motor" da recuperação económica na Europa. Ontem, uma descida inesperada nos números do desemprego consolidou a ideia de que a indústria e os serviços germânicos deixaram para trás os túneis mais negros da crise.
Segundo os dados oficiais, o número de desempregados na Alemanha reduziu-se em 68.000 no mês de Abril, o que representa o maior declínio nos últimos dois anos. O valor surpreendeu os analistas, que apontavam para uma quebra de 10.000 pessoas.
"Dado os graves contornos da recessão que o país viveu, este indicador mostra que o mercado laboral alemão está extraordinariamente forte", assinalou Dirk Schumacher, da Goldman Sachs em Frankfurt, a capital financeira germânica. Este analista considera que a crise financeira da Grécia não deverá ter impactos na recuperação económica da maior economia da zona euro.
Aliás, os problemas com que Atenas actualmente se debate acabaram por dar uma ajuda indirecta ao sector exportador germânico. O recuo da cotação do euro, consequência das incertezas sobre a ajuda europeia à Grécia, tornou mais competitivos os produtos que a indústria alemã vende ao estrangeiro.
Com esta redução, a taxa oficial de desemprego caiu para 7,8 por cento, o valor mais baixo desde Janeiro de 2009. O número total de pessoas sem emprego é, agora, de 2,38 milhões, o que compara com os 3,5 milhões atingidos no pico da crise. Este quadro contrasta fortemente com o que está a acontecer na maior economia do mundo. Nos Estados Unidos, o sector bancário voltou a funcionar em velocidade de cruzeiro e os restantes sectores de actividade dão indicação de ter dobrado o "cabo das tormentas". Mas o mercado de trabalho não reflecte estas mudanças, com a taxa de desemprego a manter-se ainda muito próxima dos 10 por cento.
A diferença poderá resultar do facto de o Governo Merkel ter sido muito mais pró-activo na condução de medidas focadas directamente para a criação de novos postos de trabalho.
O cenário económico parece estar em claro desenvolvimento na Alemanha. Segundo o Eurostat, o indicador de sentimento económico na Alemanha conheceu, também, um forte incremento em Abril. O registo de 100,6 pontos representa um salto de quase três pontos percentuais face ao mês anterior e é o mais elevado desde Fevereiro de 2008.
Estes dados levam os analistas a considerar que a Alemanha poderá fechar este trimestre com um crescimento robusto.



