Desemprego volta a recuar em Junho mas é cedo para falar em inversão da tendência 
15.07.2010 - 07:24 Por Raquel Martins
Centros de emprego com mais desempregados de longa duração
(Adriano Miranda/ arquivo)No final de Junho, havia 551.868 desempregados inscritos nos centros de emprego.
Apesar do elevado número de pessoas afectadas, o desemprego caiu pelo terceiro mês consecutivo e o ritmo de crescimento face ao ano passado começa a dar sinais de algum abrandamento.
Os dados ontem divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) revelam que o desemprego recuou 1,6 por cento em relação a Maio e aumentou 12,7 por cento em comparação com o mesmo período de 2009, distanciando-se cada vez mais do aumento-recorde de 30,1 por cento verificado em Julho do ano passado.
Ainda assim, o Governo, pela voz do ministro da Economia, reagiu com cautela aos números. Vieira da Silva destacou que a diminuição mensal do desemprego é um "sinal positivo", mas lembrou que só o crescimento sustentado da economia permitirá recuperar os postos de trabalho perdidos em 2009, uma situação que ainda não se verifica. Entre 2008 e 2009 perderam-se 144 mil empregos em Portugal, segundo o INE.
"A recuperação económica é o factor-chave para a inversão do desemprego. Só o crescimento continuado da economia o vai permitir e, enquanto isso não acontecer, torna-se mais difícil que os postos de trabalho que se perderam da recessão de 2009 possam ser recuperados", sustentou.
Tradicionalmente, nos meses de Verão, o desemprego tende a reduzir-se e Junho não foi excepção. E é pelo facto de os empregos sazonais na agricultura, turismo e restauração poderem estar a influenciar estes números que ainda é cedo para perceber se o desemprego começa a inverter a trajectória.
O próprio Governo reconhece, no Relatório de Orientação da Política Orçamental, um agravamento da situação do mercado de trabalho em Portugal. Este ano, a taxa de desemprego deverá chegar este ano aos 9,8 por cento - ligeiramente acima dos 9,5 por cento registados no final de 2009 - mas em 2011 atingirá 10,1 por cento da população activa. E os dados revelados recentemente pela OCDE apontam para taxa de desemprego em Maio próxima dos 11 por cento.
A análise aos dados do IEFP permite concluir que o aumento anual do desemprego afectou tanto os homens como as mulheres, embora tenha sido mais expressivo (13,5 por cento) entre os primeiros. Aliás, o desemprego aumentou em todos os grupos etários e em todos os escalões de formação.
O desemprego de longa duração teve um aumento muito expressivo, deixando antever que há cada vez mais pessoas que dificilmente conseguirão voltar ao mercado de trabalho. Enquanto os desempregados inscritos há menos de um ano subiram 0,4 por cento, os desempregados de longa duração assinalaram um acréscimo de 38,4 por cento. Ainda assim, mais de 60 por cento do total de desempregados registados estão nessa situação há menos de 12 meses.
O fim de trabalho não-permanente (contratos a termo ou "recibos verdes") continua a ser o principal motivo de inscrição dos 46.088 desempregados que se dirigiram aos centros de emprego pela primeira vez em Junho, com 18.215, seguindo-se os despedimentos.
Às reacções cautelosas do Governo somaram-se ontem as críticas da oposição e dos sindicatos. O PSD acusou o Governo de mascarar os dados. Também a CGTP alertou que os números são enganadores, já que "continua a haver muitos desempregados que deixaram de procurar o centro de emprego". Para a UGT, "é prematuro extrapolar tendências futuras" , dado que se está no período de Verão.


