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Sector das Pescas

Dois terços do peixe consumido em Portugal é importado

13.07.2010 - 18:59 Por Ana Tavares

<p>As pescas enpregam mais de 90 mil pessoas</p>

As pescas enpregam mais de 90 mil pessoas

 (Paulo Ricca)
Apesar da extensa costa portuguesa, dois terços do pescado é importado, visto que a produção em Portugal não é suficiente.

Na apresentação da Fileira do Pescado, a primeira associação que junta as principais organizações dos sectores das pescas, transformação e comercialização do pescado, foram abordados vários temas relacionados com o sector, nomeadamente a aprovação do recente regulamento comunitário que certifica a captura, os níveis de importações e exportações e ainda a promoção da campanha “Pescado Controlado”.

Esta é uma associação que pretende promover e valorizar a qualidade e sustentabilidade do pescado consumido em Portugal, e dela fazem parte a ACOPE – Associação dos Comerciantes de Pescado, a ADAPI – Associação dos Armadores das Pescas Industriais, a AIB – Associação dos Industriais do Bacalhau, a ALIF – Associação da Indústria Alimentar pelo Frio, a ANICP – Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe e ainda a DOCAPESCA, enquanto prestadora de serviços da primeira venda de pescado em regime de exclusividade no Continente.

Em conferência de imprensa, foram revelados dados sobre o impacto económico do sector na economia nacional. As pescas constituem 1,7 por cento do PIB (produto interno bruto) e empregam mais de 90 mil pessoas.

Pedro Jorge Silva, director da Associação dos Armadores das Pescas Industriais, revelou que Portugal, face ao total de peixe consumido, “precisa de dois terços de importações”.

Nos restantes Estados-membros da União Europeia (UE), a produção é também muito inferior à procura, sendo preciso importar 60 por cento do pescado consumido.

Manuel Tarré, presidente da Associação da Indústria Alimentar pelo Frio, revelou na conferência que em Portugal "o consumo per capita é de 57 quilos, terceiro lugar mundial atrás do Japão e da Islândia”. Na UE, o consumo é em média de 17 quilos por pessoa.

Apesar do valor de peixe importado, a Fileira do Pescado garante que não existe diferença dentro do pescado e que a certificação de sustentabilidade se mantém. “A nossa pescaria vai só pescar a mares onde não existam espécies em extinção, por outro lado a importação é só feita nesses mesmos mares”, adiantou Isabel Tato, membro da Fileira e representante da Associação nacional dos Industriais de Conservas de Peixe.

Questionado sobre a falta de rotulagem do pescado vindo de fora, já contestada por algumas organizações ecologistas, Manuel Tarré reagiu afirmando não existir diferenciação, “ser português ou não ser português não importa, pertencemos todos a uma comunidade”.

Quanto às exportações do produto pescado em Portugal, estas atingem 560 milhões de euros e as importações chegam aos 1,3 mil milhões de euros.

A política portuguesa para as pescas e aquicultura, inserida na Política Comum das Pescas, visa que estas sejam conduzidas em condições sustentáveis, sendo por isso impostas limitações anuais de capturas através da fixação de TACs (totais admissíveis de captura) e de quotas definidas pela UE. As TACs aumentaram, o que significa que há pescado em excesso, e segundo Pedro Jorge Silva “é a esses mares que vamos pescar”. Muitas vezes as TACs referentes a certas espécies são negociadas com outros países através de permuta, consoante o estado do mercado.

Questionado pelo PÚBLICO sobre o estado do sector, tendo em conta a actual crise, Pedro Jorge Silva afirmou que a situação está estável, mas salientou que actualmente "os preços das espécies são os mais baixos de sempre, como é o caso da pescada".

A Fileira do Pescado encontra-se em sintonia com o Governo no que toca à defesa dos interesses do sector das pescas, transformação e comercialização do pescado. A associação mostrou-se também receptiva para a cooperação e diálogo com as organizações ecologistas.

Notícia corrigida às 16h00 de 14/07/2010

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Falta de rigor

Estava habituado a ter o Público como um jornal de referência. Depois de ler este artigo, ...

Zé Furtado

14.07.2010 10:38