A produção industrial está a começar a recuperar, os indicadores de confiança estão a revelar melhorias desde Abril e os mercados estão a recuperar uma parte significativa do terreno perdido. O aumento do entusiasmo nos governos e nos mercados é inevitável, mas a história aconselha a que se olhe para a actual conjuntura com muita prudência.
O aviso vem do economista norte-americano Barry Eichengreen e do historiador irlandês Kevin H. O’Rourke. Durante os últimos meses, na página de Internet de investigação económica Vox (www.voxeu.org), têm vindo a comparar a evolução da economia mundial durante a actual crise com o desempenho revelado durante a Grande Depressão dos anos 30. E as notícias não são positivas.
De acordo com a análise realizada – e actualizada na passada terça-feira –, apesar da recente recuperação de alguns indicadores, a economia mundial apresenta uma evolução que é pior do que a registada, durante o mesmo período, a seguir ao colapso de 1929. A queda na produção industrial é agora ligeiramente menor, mas a queda dos mercados bolsistas é mais significativa e o comércio mundial afundou-se muito mais.
Este último indicador é particularmente surpreendente, uma vez que, nos anos 30, os países tinham entrado numa escalada de medidas proteccionistas, o que não impede que os autores do estudo concluam que “o colapso do comércio mundial, mesmo agora, continua a ser dramático quando comparado com o da Grande Depressão”.
Esta comparação é importante porque, na crise dos anos 30, também se registaram alguns períodos em que os sinais de recuperação da actividade económica e das bolsas animavam a opinião pública. Mas, pouco tempo depois, os problemas insistiam em reaparecer, de tal modo que toda a década ficou marcada pela estagnação económica e o desemprego elevado que resistiu até ao final da Segunda Guerra Mundial.
Alguns economistas, como Joseph Stiglitz, Paul Krugman, Robert Schiller e Nouriel Roubini têm vindo a alertar para a possibilidade da actual melhoria nos indicadores não ser sustentável, prevendo um período ainda longo de crescimento económico muito lento e alertando para a ameaça de se poder entrar, como nos anos 30, num processo deflacionista grave.



