O economista José Reis, catedrático da Universidade de Coimbra, considera indesejável que o FMI venha para Portugal, mas que a ajuda europeia é indispensável para ajudar a ultrapassar a actual crise nacional.
“Eu acho que devia ser evitável, e que pode ser evitável, recorrer ao FMI. O que não deve ser evitável é recorrermos a mecanismos europeus”, disse José Reis numa entrevista hoje de manhã na rádio Antena 1.
Esta posição defende assim para Portugal um tipo de ajuda e intervenção externa diferente das que foram seguidas para a Grécia e a Irlanda, onde a ajuda europeia foi atribuída conjuntamente com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que a Alemanha quis desde início que estivesse acoplado às intervenções do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), criado na Primavera na sequência da crise grega.
José Reis justifica esta cautela com o peso das ideologias liberais normalmente associado às intervenções do FMI pelo mundo. “O FMI é, fundamentalmente, uma acção externa, que tem uma elevadíssima componente ideológica, quer dizer que vai, seguramente, intervir com esse peso da intervenção externa em questões de organização das sociedades, designadamente, dos mercados de trabalho, a liberalização brutal do mercado de trabalho, que, para o FMI, é vista como uma boa solução, mas que nada prova que o seja. Seria, com certeza, uma das componentes da entrada do FMI”, afirmou.
Assim, este catedrático da Faculdade de Economia de Coimbra considera que “quer por razões políticas, quer sociais, quer ideológicas, quer, sobretudo, pelo contexto europeu”, não há razões para “estar a colocar o FMI como o que aí vem” e que “podemos bem prescindir dele”. Mas “o que não podemos é prescindir da Europa”.



