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Revista de imprensa: destaques do Jornal de Negócios

Remunerações e prémios debaixo de críticas

Em plena crise de credibilidade, executivos da Moody"s ganharam mais 60 por cento em 2010

28.03.2011 - 07:42 Por José Manuel Rocha

As agências internacionais que atribuem os ratings às empresas e aos países andam com a reputação por baixo. Desde o final de 2008, quando eclodiu a crise financeira e se verificou que muitos dos bancos que estavam à beira da bancarrota tinham classificações triplo A (três A, a classificação mais alta atribuÍda por essas companhias). Mas isso não se reflecte nos salários que os seus executivos auferem. Pelo contrário. Na Moody"s, presidente e administradores tiveram direito, em 2010, a remunerações que, nalguns casos, são 69 por cento superiores às do ano anterior.

Alvo de críticas de agentes económico e líderes governamentais, acusado pelo Congresso norte-americano de ter tido forte responsabilidade na primeira crise financeira do novo século, Raymond McDaniel, o presidente da Moody"s, recebeu no ano passado 10 milhões de dólares em salários e prémios de desempenho.

Segundo as contas ontem avançadas pelo jornal El País, o aumento global para os executivos da Moody"s foi de 60 por cento, o que os leva para um volume salarial total que é o dobro do verificado em 2005. Isto apesar de a agência, nesse período, ter visto os resultados operacionais da companhia caírem 17 por cento e o lucro líquido quase 10 por cento.

Este desempenho financeiro parece não ter importância face ao que McDaniel terá feito pela agência. No relatório em que justifica o aumento, a Moody"s sustenta que o presidente "ajudou a restaurar a confiança das ratings" da agência e "a elevar o conhecimento do papel e da função das classificações."

Não é isso que entendem muitos dos países que estão a ser afectados pela crise da dívida e que sucessivamente recebem notícia de novo corte de rating da Moody"s, como aconteceu com Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda nas últimas semanas. Os governos destes países têm acusado a agência de ser insensível aos esforços de consolidação que estão no terreno e que visam garantir novas condições de solvência desses estados.

E também não foi isso que entendeu a investigação realizada pelo Congresso norte-americano sobre as responsabilidades das agências de rating na eclosão da crise financeira aberta pela falência do Lehman Brothers.

"Concluímos que as falhas das agências de notação foram engrenagens fundamentais na máquina de destruição financeira. As três agências (Moody"s, Standard & Poors e Fitch) foram ferramentas-chave do caos financeiro. Os produtos relacionados com hipotecas [subprime] não se teriam comercializado e vendido sem o seu selo de aprovação. Os investidores confiaram nele, muitas vezes cegamente...", afirma-se no relatório da comissão do Congresso.

Os legisladores norte-americanos que conduziram a investigação afirmam que, em 2006, a Moody"s passou a ser uma fábrica de triple A, mas os resultados foram catastróficos: 83 por cento dos produtos que receberam essa notação acabaram como lixo.

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É assim mesmo...

pôr os outros a mexer para ter os investimentos a render!

Rui Pires

28.03.2011 08:05