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BCE ajuda bancos portugueses com mais crédito fácil

Em Maio, o Governo teve de recorrer ao financiamento dos bancos em larga escala

Emissão de dívida atinge volume recorde em Agosto

03.09.2010 - 07:28 Por Sérgio Aníbal

<p>Finanças não revelam juros a pagar aos bancos</p>

Finanças não revelam juros a pagar aos bancos

 (Daniel Rocha/ arquivo)
As taxas exigidas mantêm-se altas, mas o Ministério das Finanças está a aproveitar os elevados níveis de procura nos mercados internacionais para realizar um volume poucas vezes visto de emissões de obrigações e bilhetes do tesouro.

Com isso, tenta assegurar que as necessidades de financiamento do Estado português são satisfeitas sem ter de recorrer a empréstimos directos à banca, como ocorreu em larga escala no passado mês de Maio.

De acordo com os dados disponibilizados pelo Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), as emissões de obrigações e bilhetes do tesouro liquidadas durante o passado mês de Agosto atingiram os 5272 mil milhões de euros. Este é o resultado mensal mais elevado de todo o ano de 2010, superando os 4414 milhões de euros obtidos em Março.

Em Agosto, foram realizadas quatro emissões de obrigações do tesouro e quatro emissões de bilhetes do tesouro, tendo sido colocados em quase todos os casos montantes ligeiramente superiores aos valores inicialmente previstos.

O Estado português parece estar a querer beneficiar de um cenário no mercado de dívida europeu em que, apesar das taxas de juro praticadas estarem ainda a níveis historicamente altos, a procura revela ser suficientemente forte para satisfazer as necessidades de financiamento dos vários países.

Espanha, Irlanda, Portugal e mesmo Grécia - os países com maiores dificuldades a nível orçamental - têm conseguido, sem grandes problemas, concretizar as suas operações de financiamento no mercado.

A ajuda da banca

Não era este o cenário a que se assistia na primeira metade deste ano. Nessa altura, a desconfiança nos mercados era tanta que os governos dos países em dificuldades tinham receio de falhar uma emissão de dívida pública por falta de procura. Um insucesso desse tipo só poderia piorar ainda mais a sua imagem nos mercados.

Portugal foi um dos países que sentiram essa pressão e, a partir de Maio, decidiu recorrer em larga escala a outros tipos de financiamento que, antes, apenas eram utilizados para operações de pequena dimensão. Um dos exemplos é as operações de reporte (ou repos de financiamento), que consistem na venda pelo Estado de títulos de dívida a um banco, com acordo simultâneo de recompra dos mesmos, num prazo pré-acordado. Na prática é um empréstimo dado por um determinado banco ao Estado, tendo títulos de dívida como colateral.

De acordo com os dados publicados pelo IGCP, no final de Julho havia um saldo de 7632 milhões de euros com este tipo de empréstimo não titulado e não realizado nos tradicionais mercados de dívida, o valor mais alto de que há registo. As Finanças, questionadas sobre estas operações, limitaram-se a responder que são uma opção de financiamento possível e não quiseram divulgar quais as taxas de juro suportadas pelo Estado.

O boletim mensal do IGCP revela ainda que, durante o mês de Agosto, um valor próximo de 7000 milhões de euros em repos e outras dívidas não tituladas teve de ser amortizado. A necessidade de garantir esse pagamento é também uma das explicações para a decisão de aumentar o volume de emissões de dívida realizadas.Mas, se em termos de procura o cenário é agora mais calmo, no que diz respeito às taxas de juro suportadas pelo Estado português não se verificam melhorias. Antes pelo contrário.

O diferencial das taxas das Obrigações do Tesouro a 10 anos portuguesas face às homólogas alemãs atingiu, durante o dia de ontem, 337,8 pontos percentuais, bastante mais que os 252,6 pontos de há um mês atrás. Nas últimas semanas, tem sido a Irlanda e não a Grécia a influenciar negativamente a evolução das taxas conseguidas por Portugal.

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Comentário + votado

Baza JOE!!!

O sabichão iluminado conhecido no forum pelo nome Joe Freitas, parece perceber de tudo e ...

João Feliciano

04.09.2010 19:14