Empresários querem redução dos descontos para a Segurança Social para compensar aumento do IVA 
27.10.2010 - 09:33 Por Lusa, PÚBLICO
Um grupo de empresários e economistas defende o aumento do IVA, mas em compensação exige que as contribuições das empresas para a Segurança Social sejam reduzidas de 23,75 para 3,75 por cento.
A proposta é apresentada hoje num seminário organizado pelo Fórum para a Competitividade e faz parte do estudo elaborado pela Universidade Nova de Lisboa “Melhorar a competitividade em Portugal”.
"Mais IVA e menos contribuições das empresas para a Segurança Social permitiam baixar os custos unitários do trabalho sem baixar os salários, possibilitando de uma só vez tornar as nossas exportações mais competitivas, porque as empresas teriam margem para baixar o preço", avançou à Lusa o presidente do Fórum da Competitividade.
Pedro Ferraz da Costa defendeu que as propostas permitem aumentar as exportações ao ritmo que o Governo prevê na proposta do Orçamento do Estado(OE) para 2011. "Com estas medidas parece-me mais do que concretizável sem medidas destas acho difícil", afirmou o economista, quando questionado sobre as previsões do Governo de um crescimento das exportações de 7,3 por cento em 2011.
Ferraz da Costa acrescentou que "se medidas deste tipo não forem contempladas [no OE 2011] se calhar daqui a dez anos ainda se está a fazer orçamentos recessivos", defendendo "alterações fortes, porque ajustamentos de um ou dois por cento não têm efeito no emprego nem nas exportações".
O antigo presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) considerou que "o Governo deu alguns sinais positivos quando aceitou que não podia por o novo contributivo em vigor, o que significava tributar ainda mais o trabalho".
"Se não se fizer nada, não se percebe como é que o desemprego só cresce de 10,2 para 10,8 por cento em 2011", acrescentou.
O seminário promovido pelo Fórum para a Competitividade, que acontece à mesma hora que o Governo e PSD recomeçam as negociações para um acordo em torno do OE para 2011, reúne o economista João Ferreira do Amaral, os ex ministros Luís Mira Amaral e João Salgueiro, e o economista e o conselheiro económico do PSD, António Nogueira Leite.


