Eslovénia diz “não” ao adiamento da idade da reforma, Governo responde com medidas de austeridade 
06.06.2011 - 14:52 Por Pedro Crisóstomo
A Eslovénia está sob pressão de Bruxelas para reduzir a despesa e o défice público
(Pedro Cunha)Os eslovenos rejeitaram ontem, em referendo, a extensão da idade da reforma dos 63 para os 65 anos, uma medida a que a União Europeia e o FMI tinham apelado, para cortar nas despesas do Estado, e que o Governo de Ljubljana tentará contornar, agora, com a adopção de medidas de austeridade.
Para “garantir a estabilidade das finanças públicas a curto prazo”, o primeiro-ministro esloveno, Borut Pahor, anunciou hoje que a coligação de centro-esquerda que lidera vai iniciar negociações com os parceiros sociais na próxima sexta-feira para avançar imediatamente com aquilo a que chamou uma “lei de intervenção”.
Em cima da mesa está o congelamento dos salários dos funcionários públicos e das pensões, para assegurar “o crescimento económico, prosseguir com a redução do desemprego e manter uma relativa solidariedade social”, disse Pahor. A agência de notícias eslovena STA refere mesmo que a reforma das pensões que ontem foi rejeitada pela esmagadora maioria dos eslovenos pode avançar independentemente disso.
Mais de 72 por cento da população votou contra, deixando o executivo de Borut Pahor numa posição difícil. Ljubljana está sob forte pressão de Bruxelas e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para reduzir a despesa e o défice públicos, e se Pahor já liderava sem maioria absoluta, depois de ontem, a sua posição agudizou-se com a oposição a pedir que se demita.
O social-democrata tinha ameaçado sair caso o projecto não passasse, mas ontem deixou claro que não apresenta a demissão. E, hoje, insistiu que tentará convencer os parceiros sociais da necessidade da aprovação de medidas de correcção orçamental.
O Governo diz que o país vai ter de cortar 220 milhões de euros por ano para pôr as contas públicas na ordem (o défice público deverá ficar este ano nos 5,5 por cento).Face à resposta do povo esloveno, Ljubljana terá de arranjar medidas alternativas para cumprir as metas orçamentais, avisou o ministro para os Assuntos Europeus, Mitja Gaspari.
A Eslovénia foi, dos países que em 2004 aderiram à União Europeia, um dos afectados pela crise financeira. O seu Produto Interno Bruto caiu em termos reais mais de dez por cento entre 2008 e 2009. A dívida pública engrossou desde daí e, para o próximo ano, o FMI prevê mesmo uma duplicação face ao valor que a Eslovénia apresentava em 2007, ano em que aderiu à zona euro – para 44,9 por cento do PIB.


