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S&P admite voltar a baixar o rating de Portugal ainda esta semana

Estado e bancos com cada vez menos opções de financiamento

29.03.2011 - 07:30 Por Rosa Soares

<p>Teixeira dos Santos a braços com dificuldades de financiamento.</p>

Teixeira dos Santos a braços com dificuldades de financiamento.

 (Pedro Cunha)
Bancos, empresas e Estado vêem ratings a cair e pressão dos investidores a aumentar. Taxas de juro a 10 anos já estão acima de 8%

É mau de mais. Esta foi a reacção de um economista instado pelo PÚBLICO a comentar a possibilidade ontem anunciada pela Standard & Poor's (S&P) de cortar novamente o rating da República Portuguesa. Segundo a agência de notação, que ontem também cortou a avaliação de risco de cinco bancos nacionais e de duas empresas, o que dificulta ainda mais a sua capacidade de acesso ao financiamento, esta revisão pode acontecer "ainda esta semana".

Apesar da perspectiva negativa em que a S&P tinha colocado a dívida portuguesa, o que significa a possibilidade de novos cortes, o anúncio de ontem afectou o mercado, até porque acontece apenas uma semana depois da última revisão, já para o nível preocupante de "BBB". No mercado secundário de dívida, a reacção foi negativa, agravando uma tendência de subida de juros implícitos das Obrigações do Tesouro (OT) para novos recordes, que nos prazos de 10 e de três anos furam, à semelhança do que já acontecia nos cinco anos, a barreira dos oito por cento.

A subida de juros revela o nervosismo dos investidores, que querem desfazer-se dos títulos de dívida pública portuguesa que têm em carteira, e limita ainda mais a reduzida capacidade de emissão de dívida nos mercados por parte do Estado, da banca e das empresas nacionais. Isto é mais grave quando o país enfrenta compromissos de amortização elevados (pelo menos nove mil milhões até Junho por parte do Estado) e numa altura em que as restantes formas de financiamento público se revelam difíceis. No caso da banca, o recurso ao mercado no médio prazo já não acontece há vários meses e a dependência do Banco Central Europeu é total.

Na escalada dos juros, que revela o efeito perverso de quase anular as diferenças entre curto e médio prazo, os juros das OT a 10 anos, depois de se afastarem do patamar dos sete por cento definidos pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, para justificar uma pedido de ajuda externa, já estão agora acima de outro patamar: os oito por cento. E também já ultrapassaram o limite que determinou o resgate da Irlanda por parte da União Europeia e do FMI.

A revelar a preocupação dos investidores face ao curto prazo, os juros das OT a cinco anos (8,713 por cento) aproximam-se rapidamente dos nove por cento, acima do valor exigido para os 10 anos, uma situação que acontece há cerca de duas semanas. A partir dos dados da Reuters é visível a exponencial subida dos juros das OT a três anos, que ontem também furam a barreira dos oito por cento e já ligeiramente acima das OT a 10 anos.

Nos prazos mais curtos, onde se admite que o Estado Português possa tentar fazer algumas emissões, os juros estão elevadíssimos. A dois anos estão a 7,318 por cento, a um ano a 5,651 por cento, um valor que, por exemplo, está acima do exigido pelos investidores para comprar obrigações espanholas a 10 anos.

Mesmo a seis meses os juros exigidos estão altíssimos: 4,046 por cento.

A possibilidade de subida de rating anunciada ontem pela Standard & Poor's agrava o clima de insegurança dos investidores face a uma possibilidade de default (incumprimento) do país, ou de uma ajuda financeira externa, a que também se associa a possibilidade de uma eventual reestruturação de dívida. No relatório divulgado, a S&P considera que Portugal enfrenta "um ambiente económico, financeiro e operacional cada vez mais difícil".

Filipe Silva, gestor do mercado de dívida do Banco Carregosa, defende que um novo corte de rating "não fecha, de forma imediata, o mercado", mas reconhece que "fica mais complicado o acesso do Estado ao financiamento". Esclarece que o rating da S&P ainda está a dois níveis de uma classificação de muito arriscado, que é a actual classificação da dívida grega.

Mas o gestor do Banco Carregosa não tem dúvidas: se a classificação descer dois níveis, "vamos ver muitos investidores institucionais a sair da dívida portuguesa", porque os critérios das suas carteiras de investimento não comportam risco elevado e isso penaliza futuras emissões, não só no nível de juros mas também de procura. Isto também é válido para a dívida dos bancos e das empresas.

Ontem, dados divulgados pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (reflectindo apenas ordens de intermediários financeiros portugueses), o valor intermediário de dívida pública foi de 1,7 mil milhões de euros em Fevereiro, mais 149 por cento que no mês de Janeiro, o que denota alguma pressão vendedora também por investidores nacionais.

Como vai sendo habitual nos últimos dias, algumas instituições estrangeiras antecipam o resgate imediato do país. Ontem foi a vez de JPMorgan antecipar o pedido de ajuda no próximo fim-de-semana. Em nome do Governo, Vieira da Silva, ministro da Economia, contestou mais uma vez esta necessidade. com Pedro Crisóstomo

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TOCA A "COSER"!

Os bancos que façam o mea-culpa! Não davam os "amens" ao socrates e trombudo do santos? Agora ...

Jorge(sem medos)

29.03.2011 09:00