Estado tem de vender empresas para manter modelo social, defende Teixeira dos Santos 
09.02.2012 - 21:07 Por Lusa
O ex-ministro Teixeira dos Santos disse nesta quinta-feira que as privatizações em curso “têm de ser feitas” para manter o Estado social e afirmou não estar surpreendido com o empenho de investidores chineses.
“A venda a investidores fora da União Europeia reflecte os novos tempos da economia mundial”, disse hoje Teixeira dos Santos num debate no ISCTE, em Lisboa, sobre privatizações.
O ex-governante acrescentou que não se surpreendeu com o interesse de países da América Latina nas privatizações, devido à boa relação com Portugal, assim como com o interesse chinês.
“Não me surpreende o interesse e presença dos chineses em Portugal. Nos contactos que fiz como ministro [das Finanças] por causa da dívida pública, para diversificar as fontes de financiamento em Portugal, os chineses manifestaram por palavras e actos o seu interesse em apoiar Portugal”, sublinhou Teixeira dos Santos.
O também professor universitário disse ainda que actualmente Portugal não tem alternativa às privatizações definidas no acordo com a ‘troika’, porque com a necessidade de manter o modelo social num momento de envelhecimento da população o Estado “não tem capacidade para responder a outras exigências de natureza financeira que estejam foram dessas preocupações”.
“Actualmente, a injecção de capital pelo Estado nas empresas públicas já não é para a expansão do negócio mas para financiar os défices estruturais. E mesmo que seja em empresas que não dão prejuízo, esse financiamento tem impacto no endividamento, justificou Teixeira dos Santos.
Ainda assim, o ex-ministro do executivo de José Sócrates admitiu que esta é uma “fase difícil e politicamente sensível” do processo de privatizações, sobretudo nas “empresas de transportes e na RTP”, o que vai “gerar problemas de natureza social e política”.


