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Estimativas “confirmam” necessidade de participação na greve geral, diz Arménio Carlos

23.02.2012 - 14:50 Por Lusa

<p>Arménio Carlos</p>

Arménio Carlos

 (Foto: Nuno Ferreira Santos)
O secretário-geral da CGTP considera que as previsões económicas europeias para Portugal “confirmam e justificam” uma “grande participação” na greve geral de 22 de Março, destacando que os portugueses devem ter “consciência” da “força da luta” para mudar políticas.

“Essas informações [as estimativas da Comissão Europeia] confirmam e justificam a exigência de uma grande participação dos trabalhadores na greve geral de 22 de Março”, disse Arménio Carlos, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com dirigentes do PCP, em Lisboa.

O líder da maior central sindical portuguesa destacou que, quase um ano depois de aplicação do programa de ajustamento financeiro, no âmbito da ajuda externa a Portugal, a primeira conclusão a tirar da “intervenção estrangeira” é que “com estas políticas” não haverá “solução”, mas “agravamento dos problemas”.

“Só há duas coisas a fazer: ou aceitamos ou dizemos que há outro caminho. Nós somos daqueles que dizemos que não aceitamos, somos daqueles que reagimos, e o apelo que fazemos aos trabalhadores e à população em geral é que se unam e defendam os seus direitos. Não é uma questão de interesses, é uma questão de direitos, porque aos defenderem os seus direitos, estão a defender o futuro do nosso país”, acrescentou.

Arménio Carlos defendeu que “é hoje claro para o povo português” que apenas os “grandes grupos económicos e financeiros e os especuladores” estão hoje “melhor”, criticando ainda a “subserviência” com que este Governo e o anterior aceitaram e aceitam a “intervenção estrangeira”.

“Pensamos que em Portugal quem ainda deve mandar e pode mandar são os portugueses, que quando tiverem consciência da sua força e determinação, de que com a sua luta e intervenção vão contribuir que estas coisas mudarem. Porque se não mudarem, as coisas estarão piores daqui a seis meses e daqui a um ano muito piores estaremos”, acrescentou.

Segundo Arménio Carlos, estes foram temas tratados com a delegação comunista, durante o encontro de hoje, e no qual participou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

O líder da CGTP destacou a “grande sintonia” entre as duas estruturas em relação às políticas actuais, que estão a levar ao “empobrecimento generalizado” dos portugueses e à necessidade “lutar” contra a “subserviência” do Governo e de defender outro “caminho”, apontando o “rompimento” com a estratégia que está a ser seguida pelo Executivo, a renegociação da dívida, o prolongamento dos prazos para a descida do défice público e mais investimento no sector produtivo.

Arménio Carlos apontou ainda a defesa do “emprego de qualidade”, com o aumento dos salários, e do “estado social” como razões para a greve geral que a central sindical convocou para 22 de Março.

Jerónimo de Sousa, por seu turno, destacou que uma das conclusões deste encontro é o “assumir da luta como valor estratégico” contra a ideia da “inevitabilidade” e a “rendição sem condições” a políticas de austeridade impostas pelos credores internacionais.

O secretário-geral comunista sublinhou ainda a “grande vitória” para os trabalhadores e o movimento sindical que foi a “grande manifestação” de dia 11 de Fevereiro em Lisboa.

A CGTP pediu audiências à generalidade dos partidos políticos para apresentar as conclusões do último congresso, realizado no final e Janeiro, e as razões para a greve geral que convocou para dia 22, inserindo-se neste âmbito a reunião de hoje com o PCP.

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