Fitch vê uma possível nova recessão como o maior risco para o défice do Estado 
09.09.2010 - 11:13 Por Paulo Miguel Madeira
A agência de notação de risco (rating) de crédito Fitch considera que o principal risco para as contas públicas portuguesas é o de uma nova recessão, e que o país tem pouca margem para falhar as metas do défice, que considera credíveis.
A agência divulgou hoje no seu site um relatório especial sobre a dívida soberana da zona euro, intitulado “Fiscal Consolidation Yet To Begin In Earnest”, onde diz que Portugal tem pouca margem de manobra orçamental devido às suas perspectivas de crescimento serem menores que as dos restantes membros da UE e por ter um PIB baixo e que foi por isso que em Março reduziu para AA- a nota de risco de incumprimento da dívida nacional, apesar de o país não ter sido afectado desproporcionadamente pela recessão global.
Mesmo assim, a Fitch considera que os planos do Governo para a redução do défice público de 9,4 por cento do PIB no ano passado para três por cento em 2012 são credíveis, por já o ter conseguido fazer antes e por o PSD estar de acordo com esta política.
Assim, o que a agência vê como o risco principal no caminho deste objectivo é o de uma nova recessão, porque uma nova contracção da economia “tornaria o ajustamento orçamental estrutural muito mais difícil de alcançar”.
Por isso, e atendendo ao nível elevado da dívida pública e à “elevada sensibilidade das yields portuguesas aos fluxos de notícias negativas”, a agência considera haver “espaço limitado para deslizes”.
A agência não apresenta uma estimativa quantificada do impacte negativo e potencialmente recessivo sobre o PIB das medidas de austeridade que permitirão a redução do défice, mas outra justificação apresentada para a redução do rating em Março, acompanhado da indicação que a perspectiva é “negativa” (o que significa ver como provável uma nova redução), foi o “choque orçamental num contexto de significativa fraqueza macroeconómica e estrutural”.


