O Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acentuaram ontem a pressão sobre a Alemanha para desbloquear rapidamente o mecanismo já acordado de ajuda à Grécia, avisando para os riscos que novos atrasos fazem pesar sobre a zona euro.
"A questão com que estamos confrontados não tem apenas a ver com a Grécia, mas com a estabilidade da zona euro", avisou Dominique Strauss-Kahn, director-geral do FMI, frisando que "cada dia perdido é um dia em que a situação piora cada vez mais". "Como a Grécia faz parte da zona euro, por causa do sistema de solidariedade no seio da zona euro, é a confiança na zona que está em jogo", insistiu.
"Há uma necessidade absoluta de decidir rapidamente", afirmou, por seu lado, Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, defendendo que "um procedimento acelerado [de aprovação] no Parlamento alemão" seria "muito importante".
Os dois responsáveis falavam em Berlim, onde se deslocaram ontem para convencer os deputados alemães da necessidade de aprovação rápida do plano de ajuda, que serão chamados a votar logo que o Governo de Angela Merkel apresente a respectiva proposta. O mecanismo acordado assumirá a forma de empréstimos de todos os países da eurolândia ao longo de três anos, com uma primeira parcela de 30 mil milhões de euros este ano complementados com 15 mil milhões do FMI. Os montantes dos próximos dois anos não estão ainda definidos.
George Papandreou, primeiro-ministro grego que herdou em Outubro uma situação catastrófica das finanças públicas com um défice orçamental de quase 14 por cento do PIB e uma dívida pública de 300 mil milhões de euros, apelou igualmente ao desbloqueamento rápido da ajuda para evitar que "o fogo" da crise "se propague à economia europeia e mundial".
A demora na activação do mecanismo, cujas linhas gerais foram aprovadas a 11 de Abril, tem a ver em grande parte com as hesitações da chanceler, que teme hostilizar a sua opinião pública em vésperas das eleições de 9 de Maio no estado da Renânia do Norte. Fragilizados, os partidos democrata-cristão e liberal da coligação governamental estão em risco de ser derrotados e perder, em consequência disso, a maioria na câmara alta do Parlamento.
Angela Merkel viu-se, no entanto, obrigada a ceder devido aos riscos que a vaga especulativa dos mercados faz pesar sobre a moeda única europeia, embora pondo como condição que Atenas apresente um novo programa de austeridade para controlar o défice orçamental e a dívida pública. Trichet e Strauss-Kahn, que estão a negociar as condições com Atenas, garantiram ontem que o novo programa poderá estar concluído durante o fim-de-semana.
Sob a pressão dos dois responsáveis, Merkel reconheceu ao princípio da noite que "é evidente que as negociações entre o Governo grego, a Comissão Europeia e o FMI devem ser aceleradas", acrescentando: "Penso que a gestão do caso da Grécia mostra que toda a gente sabe que não podemos permitir que suceda com os países o mesmo que com o Lehman Brothers", uma referência ao banco americano cuja falência precipitou a crise financeira do Outono de 2008.
Apesar do sentido de urgência, uma decisão da zona euro sobre a concretização da ajuda só está prevista para 10 de Maio, no quadro da cimeira de líderes cuja realização foi ontem confirmada por Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu. Ou seja, o dia a seguir às eleições na Alemanha.
Vários deputados alemães afirmaram por outro lado à imprensa que o director do FMI terá precisado durante essa reunião que Atenas precisa de um montante global de ajuda entre 100 e 120 mil milhões de euros durante três anos. Strauss-Kahn recusou comentar a informação.



