O presidente do BCE, Mario Draghi, tem sido pressionado a assumir perdas com a Grécia
(REUTERS/Fabrizio Bensch )O FMI está a pressionar o BCE a assumir perdas na dívida da Grécia, para que o país consiga reduzir mais o seu endividamento para além da renegociação com os privados.
A notícia é hoje avançada pelo Financial Times, que cita fontes da zona euro. De acordo com o jornal, uma fonte do FMI nega que o fundo esteja de alguma forma a pressionar o Banco Central Europeu (BCE) a assumir perdas com os cerca de 40 mil milhões que detém em dívida grega ou mesmo a abdicar dos juros decorrentes desses títulos.
Contudo, autoridades da zona euro terão dito ao jornal que essa pressão existe e que o BCE está a opor-se fortemente à ideia. A autoridade monetária europeia começou a comprar dívida da Grécia ainda em 2010, no âmbito de um programa extraordinário, destinado a normalizar o funcionamento dos mercados. Além disso, continuou a aceitar os títulos gregos como colaterais (garantias) nos empréstimos que os bancos do país pedem ao BCE, apesar de o rating da dívida grega ter sido sucessivamente cortada pelas agências de notação.
À medida que a situação da Grécia se deteriora, os investidores privados têm feito crescente pressão para que também o BCE assume perdas com a dívida grega. Neste momento, o país está a negociar um acordo de reestruturação com os credores privados, que os obrigará a assumir perdas que podem chegar aos 70% sobre os títulos que detêm. Ontem, numa conferência de imprensa, Charles Dallara, presidente do Instituto Internacional de Finança (IIF) - a entidade que está a representar os credores privados na negociação com o Governo grego - apelou a que “todas as partes honrem os seus compromissos”, incluindo o BCE.
Apesar da resistência da autoridade monetária a assumir perdas, o conselho de governadores da instituição tem discutido várias possibilidades para ir ao encontro das pressões dos outros credores. Segundo o Financial Times, entre as hipóteses estudadas está a possibilidade de o BCE renunciar aos lucros que faria com a dívida grega. Outra opção seria assumir no seu balanço as perdas dos bancos centrais da zona euro com os títulos helénicos.
A renegociação da dívida grega com os credores privados é pré-condição para que o país possa receber um novo pacote de ajuda da União Europeia e do FMI. As negociações arrastam-se já há várias semanas, mas tanto o IIF como o Governo grego têm dito que um acordo está próximo. De acordo com as últimas notícias, estaria em causa uma troca de antigos títulos de dívida grega por novas obrigações com uma maturidade mais alargada (30 anos) e uma nova taxa de juro. As perdas para os investidores podem chegar aos 70%, acima dos 50% inicialmente em cima da mesa.



