Fornecedores fazem última tentativa para salvar supermercados Alisuper 
16.06.2010 - 07:51 Por Ana Rute Silva
Os principais credores e fornecedores dos supermercados Alisuper vão tentar convencer a banca a aceitar um novo plano de recuperação da empresa algarvia, que prevê a abertura de 27 lojas em Julho.
Numa reunião entre a comissão de credores, BCP, Caixa Geral de Depósitos e BPN, que deverá acontecer sexta-feira, vão jogar-se as últimas cartadas de um processo de insolvência que se arrasta desde Novembro do ano passado.
O tempo está a esgotar-se para a rede de 81 lojas distribuídas pelo Algarve e Lisboa, e entretanto encerradas. A comissão de trabalhadores tem vindo a repetir apelos à celeridade do processo e a Assembleia de Credores - que vai ditar o futuro do grupo empresarial composto pela Alicoop, Alisuper, Macral e Geneco - foi finalmente marcada pelo Tribunal de Silves para o final do mês.
"O novo plano em discussão é uma reformulação do projecto inicial da Deloitte mas adaptado às circunstâncias e aos prazos, nomeadamente sobre a data de reabertura das lojas. Se não abrirem no dia 1 de Julho mais vale esquecer", lamenta Joaquim Cruz, do Movimento de Fornecedores, que representa 20 por cento do capital em dívida. Caso continue a não haver decisão de investimento por parte da banca, nomeadamente da Caixa Geral de Depósitos, o cenário mais provável é o da liquidação.
"A intenção é abrir durante o Verão ainda como Alisuper, depois encerrar as lojas para obras e reabri-las com uma nova insígnia", continua.
A nova empresa a criar teria como accionistas os credores. Os cerca de 200 fornecedores prescindem de parte do valor em dívida que, no total, atinge os 80 milhões de euros. Seja o que for que aconteça, "o problema terá de ser resolvido rapidamente. Quanto mais tempo demorar, mais complicado se torna dar a volta à situação", desabafa Joaquim Cruz.
O Movimento de Fornecedores teme que o encerramento definitivo da empresa leve, no total, cerca de mil pessoas para o desemprego (incluindo os 500 trabalhadores directos) e ponha em perigo a sobrevivência de pequenos produtores algarvios, que forneciam as lojas do grupo. Receiam ficar sem clientes num cenário de liquidação e posterior venda dos activos a grupos empresariais sem implementação no Algarve.
Em Abril, a GCT, dona dos supermercados Ponto Fresco, Frescos e Cª e da cadeia grossista Elos, apresentou uma proposta para viabilizar o grupo Alicoop que conta com o apoio financeiro da PME Investimentos, sociedade detida maioritariamente pelo IAPMEI e pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças. A empresa pretende manter abertos 39 estabelecimentos e garante até 369 postos de trabalho. A proposta é baseada num cenário de encerramento definitivo da empresa insolvente.
Numa carta enviada aos administradores de insolvência, a GCT diz que vai aguardar pela decisão da Assembleia de Credores onde deverá ser votado o plano de recuperação. Caso a decisão seja liquidar, está disponível "para ser parte da solução".
Também a cadeia holandesa Spar já admitiu que se o plano de recuperação do Alisuper incluir a venda dos supermercados estará na primeira fila para os comprar. Esta cadeia de retalho alimentar, que tem mais de 12 mil lojas em todo o mundo, está em plena expansão em Portugal e quer passar de 30 para 200 supermercados nos próximos quatro anos.
O estudo económico apresentado em Junho de 2009 pela consultora Deloitte a pedido dos bancos credores defende que a empresa do Algarve, liderada por José António Silva (antigo presidente da Confederação do Comércio) tem viabilidade. Este plano de recuperação previa uma injecção de capital de 5,5 milhões de euros, dos quais 1,2 milhões caberiam à Caixa Geral de Depósitos. O BCP mostrou-se favorável à solução, mas a CGD preferiu não aumentar o seu "nível de envolvimento financeiro".
Há quatro anos o grupo algarvio facturava 150 milhões de euros, mas o volume de vendas caiu para metade.


