Uma adesão de 80 por cento na RTP, segundo números apurados pelo piquete de greve da RTP ao final do dia. E “uma forte adesão”, ainda não quantificada, na agência Lusa, com falhas totais em certos turnos, marcam uma adesão à greve histórica das empresas públicas de comunicação social.
Pelas oito da manhã Clarisse Santos, secretária-geral do Sindicato dos Meios e Audiovisuais, já estava à porta da RTP. A empresa, que teve de recorrer a trabalhadores contratados de empresas externas como a Green e Retrato Andante (com que já colabora desde 2007 e que respondem à RTP Meios) para cobrir falhas de trabalhadores da casa, teve as faltas mais significativas nas áreas de arquivo e documentação e entre operadores de som e mistura e iluminação.
Mas a informação também foi afectada. O primeiro programa de informação da estação, o Bom Dia Portugal, que começa pelas 7h00, começou hoje com 20 minutos de atraso e as peças do programa da tarde, Portugal em Directo, foram gravadas. Os jornalistas que participam no programa exigiram que as suas intervenções tivessem a identificação de que foram gravadas.
Na rádio pública a emissão da manhã da Antena 1 foi garantida apenas pelo sub-director de informação Ricardo Alexandre e por uma produtora. E a Antena 3 apenas teve noticiários gravados.
“Não há memória de uma adesão assim na empresa”, recorda Clarisse Santos que lembra a última greve, de 2005, apenas sectorial. Os trabalhadores reclamam contra a redução de ordenados numa altura em que a empresa apresenta resultados positivos, contra o congelamento das carreiras e ausência de revisão salarial para 2010.
Lusa com menos de metade dos trabalhadores
Na agência Lusa, onde os trabalhadores foram nos últimos dias informados sobre a possibilidade dos seus serviços serem agregados à RTP, a paralisação, segundo dados recolhidos esta manhã, rondava os 60 por cento. Ao final da tarde o site do Sindicato dos Jornalistas apenas referia “uma forte adesão”, com uma adesão de cem por cento no piquete da manhã e em áreas como política, Cultura e lusofonias.
Luís Teixeira, do Sindicato dos Gráficos e Imprensa, adiantou ao PÚBLICO que a madrugada teve de ser garantida pela delegação de Macau. Reunidos à porta da empresa, vestidos de preto, os trabalhadores temem por postos de trabalho e pelo futuro incerto da empresa: "A área de back office, que integra cerca de 40 trabalhadores corre riscos de desaparecer com a possível agregação à RTP. A Lusa tem uma identidade própria. Não nos queremos juntar a um cliente. onde ficaria a nossa independência?", afirma Luís Teixeira.
Notícia actualizada às 18h59



