Francisco Louçã exige saber “quem é que ficou com o dinheiro” da Madeira 
01.10.2011 - 09:45 Por PÚBLICO, Lusa
O líder do BE diz que a Madeira "precisa de se defender de Alberto João Jardim"
(Foto: Daniel Rocha/arquivo)Francisco Louçã exigiu esta sexta-feira saber “quem é que ficou com o dinheiro” da Madeira, considerando que esta “precisa de se defender de Alberto João Jardim”, o “Ali Babá” cujos “comparsas” viveram “acima das possibilidades dos outros”.
O coordenador do Bloco de Esquerda discursava na sessão pública “Mais impostos, mais desemprego. Fazer frente à austeridade com a luta social”, no auditório da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto, tendo as contas da Madeira sido um dos temas principais da sua intervenção.
“O que é preciso que nos digam é quem é que ficou com dinheiro”, exigiu, acrescentando que este “está, naturalmente, à volta dos comparsas todos que viveram da facilidade, do amiguismo, dos contratos, das concessões, dos ajustes, das inaugurações ao longo de todos estes anos”. Para o líder do Bloco de Esquerda é evidente que, na Madeira, “quem viveu acima das possibilidades dos outros foram os comparsas do Ali Babá, quem viveu à volta daquele Governo e daquele regime, que tinham tudo e não deram nada”.
A Madeira, prosseguiu, “precisa de se defender de Alberto João Jardim e os madeirenses só sobreviverão se se defenderem de Alberto João Jardim, porque é aí que está o centro de todo o vendaval da dívida e de todos os ataques que têm sido feitos dessa gente, que vive acima das possibilidades dos madeirenses”, acusou.
Louçã disse já não se lembrar de “uma única semana em que a conta da Madeira não subisse 500 milhões de euros”, afirmando que aquilo que toda a gente queria era que fechassem “as contas depressa”. Segundo o líder do Bloco, a conta dos 6328 milhões de euros apresentados pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, da dívida da região autónoma “não bate muito certo” porque “se esqueceu de três parcerias público privadas nas rodovias” que disparam para “8328 milhões de euros” o valor total.
Mas Louçã não ficou por aqui e alargou as considerações ao impacto do off-shore da Madeira. “A Madeira não recebe nada de impostos daquelas empresas, que são fantasmas, mas o produto é contabilisticamente inflacionado, de forma que a Madeira perde todos os anos fundos comunitários a que teria direito em função do nível de vida real, das madeirenses e dos madeirenses, porque há uma falsificação sistemática das contas por existência da zona franca”, condenou.
Assim, e segundo o bloquista, “a Madeira perde, no quadro comunitário actual, 900 milhões de euros a que teria direito de fundos de apoio ao desenvolvimento e de apoio social só porque regista nas suas contas uma zona franca, de empresas fantasmas, de branqueamento de capitais e de fuga aos impostos”.
“Quanto mais difícil está a vida para a maioria mais fácil vai ser para alguns”
O coordenador afirmou também que “quanto mais difícil está a vida para a maioria, mais fácil vai ser a vida para alguns”, comparando a estratégia do Governo “à dos feiticeiros da Idade Média”.
Segundo Louçã, “o registo de que o défice é maior do que o que se esperava desencadeou imediatamente duas reacções”. “A primeira do PSD e do CDS a dizer que a culpa é do PS”, sublinhou, acrescentando que “nenhuma das medidas que cavou esta sepultura da economia portuguesa deixou de ter o apoio do PSD e depois chegou o acordo da troika, mais uma vez com o apoio de Passos Coelho e de Paulo Portas”.
Louçã disse que, “no debate do orçamento que o PSD aprovou” só se lembrava “de uma grande contestação” por parte do PSD: “não queria aumentar o IVA do leite com chocolate”. “Há uma segunda resposta (...) Um secretário de Estado do Ministério das Finanças foi à tarde dizer: sim senhor, medidas extraordinárias. Lá deve ter recebido um SMS e depois saiu a dizer: não, na verdade as medidas extraordinárias são como a pescada, antes de o ser já o eram. Nós estamos sempre em medidas extraordinárias”, disse, em tom irónico.


